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25/05/2018 - 13:00

A greve dos caminhoneiros, a crise e o Amazonas

Dermilson Chagas

*Dermilson Chagas
 
A greve dos caminhoneiros radicaliza e revela uma crise política e econômica aguda, sem precedentes, cujas consequências hoje ninguém, com segurança mínima, arrisca a predizer. Mais do que isso, o movimento - até agora vigoroso e vitorioso nos seus objetivos - escancara as fraturas expostas de um governo central fraco, humilhado, desmoralizado, quase zero de apoio popular, de joelhos e refém, não dos indignados e revoltosos motoristas brasileiros, mas das próprias decisões insanas, inconsequentes, quase sempre eivadas de erros e de maldades perpetradas contra a população brasileira.
 
O caso da política de preços dos combustíveis do governo Temer é uma dessas determinações estúpidas, uma aberração cujo script, hoje retratado nas estradas bloqueadas e nas atividades econômicas asfixiadas, já estava definido. É que para salvar a Petrobrás, o governo federal resolveu jogar contra uma população inteira, de 210 milhões de pessoas, não acionistas daquela empresa, e todas, de alguma forma, dependentes do "ouro negro", que definitivamente NÃO É NOSSO.
 
E a Petrobrás do senhor Pedro Parente, com o aval do fragilizado Temer, resolveu atrelar o valor dos combustíveis - gasolina e diesel - praticados no mercado interno, à variação do dólar americano e nos preços internacionais do barril de petróleo, também cotado em dólar. E a razão da maldade é simples e matemática: a indexação dos valores foi decidida com os preços do petróleo nos seus níveis históricos mais baixos, em torno de U$ 40/barril, e deu no que deu.
 
Ora, se a esperada recuperação dos preços no mercado internacional do produto, que já bateu os U$ 80/barril, elevando os preços internos da gasolina de R$ 2,50 a mais de R$ 5,00/litro, por que não esperar também, persistindo as razões, que os preços do barril possam retornar ao patamar histórico de 2008, quando chegou a 132 dólares? Neste caso, totalmente previsível, mantida a política de preços indexados, logo a gasolina estará chegando aos R$ 9,00 ou R$ 10,00/litro, valores absurdos e totalmente incompatíveis com a realidade da economia brasileira.
 
Portanto, a questão crucial da crise dos combustíveis não se resume apenas a retirar alguns pontos percentuais de impostos para compensar momentaneamente os valores estratosféricos atuais. Além disso, urgente e imprescindível é rever a política adotada, posto que os preços futuros também estarão contaminados e contribuindo para o caos e a desordem iguais ou piores às que assistimos agora. O Brasil agradece!
 
Somar-se aos caminhoneiros nessa luta que é nacional, significa também estar ao lado dos agricultores e dos pescadores do Estado do Amazonas, que sofrem com a mesma política que eleva os preços dos combustíveis usados nas embarcações que transportam os produtos agrícolas e os pescados na região.
  
*Deputado estadual (PP)

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