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21/05/2019 - 06:05

O FUTURO DOS CARTEIROS SEM AS CARTAS...

Edclei Vasconcelos

 

Reflexão sobre a profissão
 
Em um determinado dia de trabalho, mais precisamente na segunda-feira, vivenciei uma situação muito inusitada para uma grande reflexão profissional nos Correios.
 
Naquele período eu trabalhava como carteiro motorizado no CDD ADRIANÓPOLIS. Era o encarregado de levar e trazer a carga do dia para que os colegas da distribuição externa (convencional/bolsa) pudessem realizar os trabalhos internos, e em seguida distribuir os objetos postais diretamente aos destinatários.
 
Logo pela manhã, quando cheguei com a VAN carregada de objetos postais na unidade, me dirigi ao portão de entrada da unidade e chamei nosso amigo, hoje já falecido, senhor Paulo Roberto, conhecido como batatinha, que imediatamente retrucou: “Faísca meu amigo, pelo amor de Deus, leva essa carga daqui e tenta passar uma semana, duas, ou melhor, um meses sem aparecer?” 
 
O amigo era um empregado que se esforçava bastante para dar conta do trabalho. Mas também reclamava de quase tudo: dimensão (percorrida/quilômetros) do distrito, quantidade excessiva de serviços, gerando certo peso, sobrecarga etc e isso praticamente todos os dias. Em outros momentos de descontração era só alegria. Como muitos  e por diversos motivos: profissionais, financeiros e pessoais que chegam a desanimar, entristecer, desiludir..., precisando buscar forças e motivação para superar os desafios e, além disso, alcançar os seus objetivos e a missão da empresa, alvo de denúncias de esquemas de corrupção como o episódio do mensalão, falta de investimentos e gestão e fraudes bilionárias no nosso fundo de pensão.
 
Na mesma ocasião, disse a ele que faria uma demonstração, espécie de encenação futura, de modo a forçar uma boa reflexão sobre a importância do nosso trabalho.
 
Disse a ele – Batata, você vai fazer o seguinte: vai entrar novamente na unidade. Eu irei fechar as portas da VAN, certo? 
 
Em seguida responde – certo! E entra na unidade.
Após fechar as portas da VAN, retorno à unidade e o chamo novamente: Paulo Roberto! Batatinha! A carga chegou?!
 
Ele sai novamente e logo em seguida, pergunta: E agora? E aí, Faísca?
 
Respondo ao nobre amigo -  Agora eu irei abrir a porta traseira da VAN novamente. Mas você vai fingir que eu não trouxe nada, que o baú está totalmente vazio, que saí de nosso complexo operacional me deslocando apenas gastando gasolina e tempo, ok? 
Ele responde rindo um pouco: Ok. Beleza! E aí?
 
Em seguida, respondo: Aí você pode entrar novamente e, junto com os demais colegas que são mais de 40, fica aí dentro sem fazer nada, porque não tem carga. E ficamos nessa situação na segunda, na terça, na quarta, uma semana, duas, três, um mês...Eu só estou vindo aqui para gastar combustível e, se não tem carga, o que você acha que vai acontecer conosco? A empresa vai nos pagar para não fazer nada, já que não temos serviços a prestar para a população?
 
Rapidamente olhou para mim e disse: Já entendi, Faiscão! Deixa eu chamar os colegas para descarregar essa carga. Pois temos um dever a cumprir, muitos clientes para atender. Apesar das dificuldades alheias a nossa vontade, falta de melhor organização das numerações das residências e definição dos logradouros. Precisamos trabalhar para garantir o sustento de nossas famílias e a sobrevivência da empresa. 
 
Valeu, Faísca!
 
Ou seja, vamos reclamar, questionar, denunciar, criticar, sugerir e até mesmo elogiar quando for necessário. Só não podemos desanimar, apesar do advento da tecnologia, jogar a toalha ou desistir de fazer aquilo para o qual fomos contratados. 
Não existem empresas sem a participação das pessoas. O maior patrimônio de uma empresa está na saúde física, psíquica, e bem-estar de seus empregados.
 
Uma singela homenagem comentada no dia 25 de janeiro de 2019, ao eterno amigo Paulo Roberto (Batatinha) e a todos que dedicaram uma vida inteira de superação, maestria, alegrias e tristezas aos Correios e ao povo brasileiro, nesses 356 anos de existência.
 
Edclei Estevam de Vasconcelos (Faísca).

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