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05/01/2018 - 21:55

O NOVO ANO

Alcides Costa


* Alcides Costa
 
Chegamos ao quinto dia do novo ano. Envolvidos ainda pelo clima de festas de fim de ano, incluída aqui a celebração natalina, inerente a esses particulares períodos que marcam a mudança do calendário anual.
 
 Ainda reverberam em nossos ouvidos o foguetório tradicional, estão bem vivas as lembranças de trocas de mensagens e felicitações, etc., com nossos familiares e amigos e, porque não dizer, ainda sentimos a vibração de uma energia boa que nos toma, trazendo um pouco mais de alegria e uma certa leveza, por ocasião dessa mudança que marca tão fortemente a vida de grande parte da humanidade.
 
Creio que cada povo, cada país, cada comunidade, mas principalmente cada pessoa, “instrumentaliza” de certa maneira esse fato, para satisfazer algumas necessidades específicas que existem em seu íntimo, particularmente as de natureza psicológica/espiritual, digamos assim. Em muitos casos, procede o ser humano a uma espécie de “catarse”, onde procura se libertar do fardo que foi criado paulatinamente sobre seus ombros ao longo do ano, e se permite uma certa crença num futuro próximo melhor,  mesmo consciente de que se ilude em parte.
 
Aqui no nosso Brasil, o que não falta são fardos, dos mais diversos tipos, tamanhos e pesos nas costas do sofrido brasileiro. Por incrível que pareça, chegou-se a uma situação em que nem os corruptos profissionais, que em geral sempre viveram na sombra e água fresca desse paraíso tropical, estão mais escapando desse mochilão incômodo. Como exemplo emblemático o ex-governador do Rio de Janeiro, que salvo engano recebeu hoje, ou ontem, a vigésima denúncia por corrupção. Claro que nesse caso o fardo é bem vindo.
 
Mas as nossas mazelas são tão substanciais que mesmo nesses poucos cinco dias as notícias da mídia já nos puxam fortemente para a trágica realidade em que estamos inseridos. Realidade de país desgovernado e assolado pelo banditismo oficial.
 
Logo no primeiro dia do ano foi aquele vídeo do bandido numa favela do Rio celebrando o ano novo disparando uma arma de altíssima potência capaz de derrubar um avião. Aliás, como contraponto a isso, vi hoje na Globo pesquisa de um repórter dessa empresa, que identificou as principais rotas pelas quais as armas de guerra que abastecem o crime organizado chegam ao Rio de Janeiro. Imaginava eu que eram rotas supersecretas, mas não; uma dessas principais rotas começa na fronteira do Paraguai, em duas cidades fronteiriças, e prosseguem por rodovias, algumas federais, até chegarem ao Rio, simplesmente pela Via Dutra e pela Rio-Santos que, como sabemos, não são propriamente estradinhas de quinta categoria. Outro ponto de entrada é (essa é de pasmar mesmo) pela Baía de Guanabara. Os navios param na entrada da baía, transpõem a mercadoria para p equenos barcos, e estes adentram a baía tranquilamente, fazendo a entrega em diversos locais situados na orla, quase uma entrega em domicílio. Há quantos anos será que acontece isso? O repórter sabe e o governo e autoridades não sabem?
 
Agora a nova Ministra do Trabalho que é condenada pela Justiça do Trabalho exatamente por descumprir a legislação trabalhista, fato  que no dizer do porta voz de Temer não impede absolutamente sua nomeação pois é possuidora de “grande cabedal político”. Precisa dizer algo mais?
 
Enfim, são tantos os exemplos do aniquilamento do nosso país que dariam um livro, e aqui nessa lauda vão apenas esses dois aí como representantes dessa trágica realidade, onde parecem perdidas todas as referências principalmente as morais.
 
Nossas esperanças e otimismo são postos a duras provas todos os dias, mas continuo acreditando que esse período negro passará; Vejo sinais disso, sinais que precisam ser fortalecidos por nós, povo. De modo que há espaço sim para sonhar com o Brasil melhor num futuro próximo, desde que não percamos nenhuma oportunidade de atuarmos e influenciarmos nesse sentido. 
 
* Engenheiro Agrônomo

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