Quarta-feira | 20/06/2018
▸ Acompanhe nas redes

COLUNISTAS
Enviar por e-mail Compartilhar Imprimir

02/03/2018 - 18:10

OS PEREGRINOS

Tarcísio Barbosa

 

Tarcísio Barbosa
 
Peregrinação vem do latim - sempre o latim - per agros, que significa pelos campos. Andar pelos campos.  Posteriormente, tomou acepção de religiosidade.  Seria a jornada que se faz aos lugares santos ou de devoção.  Lato sensu seria a jornada que os políticos -  sempre eles-  fazem às suas origens às vésperas das eleições para angariar  votos. Que acontece a cada quatro anos. São os políticos das olimpíadas. 
 
Peregrinação que ficou na história foi a que ocorreu com os puritanos que fugiram das perseguições religiosas da Inglaterra e vieram para os Estados Unidos a bordo do navio Mayflower em 1620, fundando a cidade de New Plymouth, no estado de Massachussets. 
 
A partir de New Plymouth, novos núcleos foram surgindo, vinculados à atividade pesqueira, ao cultivo em pequenas propriedades e ao comércio. Apesar de os puritanos serem chamados de The Pilgrims – os peregrinos -  na verdade eles eram fugitivos. Vieram para ficar, criar raízes. O peregrino faz é uma viagem a um centro de peregrinação, cumpre suas obrigações religiosas e retorna às suas origens. 
 
Quase todas as religiões têm a peregrinação como uma forma de culto. Na Índia, por exemplo, os fiéis acorrem em massa para se banhar no Ganges, rio sagrado dos hindus; dirigem-se ainda os indianos para a santa cidade de Benares, sede do Bramanismo, para oferecer sacrifícios aos deuses nos templos. Maomé determinou que todo muçulmano fosse pelo menos uma vez na vida à sagrada cidade de Meca. 
 
O Judaísmo, em seu apogeu, incentivou peregrinações periódicas ao templo de Jerusalém. No Cristianismo, as peregrinações começam a ser registradas a partir do segundo século de nossa era. Principalmente aos lugares onde Cristo nasceu, pregou e morreu, que exercem forte atração sobre a fé cristã. 
 
Depois Roma, santificada pelo martírio de milhares de cristãos e o lugar presumido dos túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo, se tornou também centro de peregrinação. Outros lugares se tornaram célebres atrativos de peregrinos, como o famoso caminho de Santiago de Compostela na Espanha, tema de best-seller de Paulo Coelho. 
 
No Brasil também existem muitos centros de peregrinação.  O principal é Aparecida do Norte.
Um peregrino, certa ocasião, saindo da Bahia, se dirigia a pé a Aparecida do Norte para pagar uma promessa. Lógico, depois de ter passado por Juazeiro, cidade de Padre Cícero. Sempre a pé, pelos caminhos, pedindo pousada. Que normalmente não lhe era negada. Afinal de contas, era um peregrino, um iluminado, quase um santo!  Se hospedava em casas de famílias humildes e, depois de alguns dias, após renovar suas forças, seguia adiante.
 
Um belo dia, pediu pousada numa casa humilde de agricultores à beira da estrada. A família era composta de pai, mãe e uma filha aí de seus 20 anos. Com quem o peregrino fez amizade. E algo mais! O peregrino, sem desconfiômetro, foi ficando, ficando. Afinal, ele estava tendo cama, boia etc. Sobre o etc. não carece comentar. 
 
Um belo dia -  tô repetindo -  seu anfitrião, já meio aborrecido com o peregrino, disse-lhe:
 
- Já está na hora de você partir. Somos gente muito pobre, e não temos mais nada de comida para lhe oferecer.   Manhãzando (Guimarães Rosa), bem cedinho, quando o galo cantar, vou acordá-lo para você partir.
 
- Ainda tem um galo! Então, vou ficar mais um dia, disse o peregrino.
 
jtbarbosa500@yahoo.com.br 

VEJA MAIS

Publicidade
Publicidade
Publicidade

CURTA-NOS