▸ Acompanhe nas redes

COLUNISTAS
Enviar por e-mail Compartilhar Imprimir

20/08/2018 - 11:55

QUEM VÊ CARA, NÃO VÊ...

Ediclei Vasconcelos

 * EDCLEI VASCONCELOS

 
Um total de 23 empregados contando com um gerente, um supervisor, e um OTT (operador de triagem e transbordo) de uma unidade de distribuição dos Correios. Trabalhavam incansavelmente para dar conta da entrega do serviço e da distribuição de brinquedos dos pedidos das crianças, através das cartas enviadas ao PAPAI NOEL, adotadas pelos diversos padrinhos daquela localidade.
 
De vez em quando, é comum aparecerem em cima da hora, poucos dias antes ou após o NATAL, algumas cartas, que, infelizmente, não conseguem ser adotadas, ou serem atendidas na sua íntegra. Como é o caso que conto a seguir...
 
Dois dias antes do Natal, apareceu uma singela cartinha toda dobrada e colada nas pontas, escrita em papel ofício e de lápis preto, endereçada ao PAPAI NOEL DOS CORREIOS, bem no meio de várias correspondências do distrito de um carteiro. O nobre colega ficou ao mesmo tempo animado, e preocupado, devido o pouco tempo e o prazo, que já havia terminado para que essa cartinha fosse adotada em tempo hábil. Resolveu ele, então, falar com seus colegas de setor para que fizessem um esforço em conjunto - caso fosse possível – para realizar o desejo daquela criança.
 
Após falar com o gerente, que deu ok! eles abriram a cartinha e lá estava escrito...
 
─ Querido PAPAI NOEL,
 
Meu nome é Diego. Tenho 09 anos de idade, também tenho estudado direitinho, e faço a lição da escola todos os dias em minha casa. Moro aqui na Rua da Alegria, Conjunto Monte Alegre, Bairro da Esperança, casa verde de madeira, nº 05, o CEP eu num sei, fica no final da rua. O meu pedido, eu fiz pro senhor, e rezei pra Deus ajudar! Que é, de não me dar uma bola este ano! Eu queria que o senhor me mandasse um dinheiro aí. Porque a coisa tá muito difícil aqui em casa. O papai está sem trabalho e o que a mamãe ganha lavando roupa mal dá para comer. O valor é pouco. Só de R$ 200 reais que já dá para ajudar a comprar a ceia e o peru de Natal. Papai Noel, se o senhor atender o meu pedido, eu e a minha família ficaremos muito agradecidos.
 
Valeu Papai Noel!
 
Os carteiros presentes e o gerente da unidade só faltaram chorar e ficaram sensibilizados e animados em tentar realizar o pedido da criança. Começaram então a fazer uma cotinha, dividindo o valor de R$ 200 reais pela quantidade total de empregados, que era de 23. Porém, só estavam presentes naquela ocasião 18 empregados, pois cinco carteiros já haviam saído para entregar seus objetos postais. Para não ficar pesado, os empregados presentes concordaram em doar R$ 10 reais cada um. Chegando a um total de R$ 180 reais. Eles puseram o dinheiro dentro da carta e pediram ao colega que estava trabalhando naquela área (rota), que realizasse a entrega da cartinha no endereço daquela criança, o mais rápido possível.
 
O carteiro foi no mesmo dia! Chegando lá, encontrou a casa e os pais da criança, perguntando em seguida se eles tinham um filho de nome Diego. Eles disseram que sim e em seguida chamaram a criança. Quando ele viu a carta que fez para o Papai Noel na mão do carteiro, ficou feliz da vida e começou a pular e comemorar: “Beleza! Beleza! Muito obrigado, meu Deus! Muito obrigado, Papai Noel! Muito Obrigado, senhor carteiro!”
 
O carteiro deu um forte abraço na criança e entregou a ele a cartinha. Desejou um feliz Natal, saúde e prosperidade e em seguida se despediu da família.
 A família se reuniu na mesa da sala, e a mãe perguntou ao filho o que ele havia pedido para o Papai Noel. O filho respondeu que pediu dinheiro e não brinquedo.
 
─ Dinheiro, meu filho? ─ A mãe perguntou.
 
─ É, mamãe. Dinheiro! Eu pedi que o Papai Noel, caso pudesse, que arrumasse 
pra gente R$ 200 reais para ajudar na ceia e no peru. A senhora gostou?
 
─ Tá bom meu filho, gostei sim! ─ respondeu a mãe.
 
Em seguida, diz o filho:
 
─ Mamãe, conte pra gente o dinheiro que tem aí na minha cartinha.
A mãe então abriu a cartinha, jogou todo o dinheiro em cima da mesa e começou a contar. Eu hein! Só tem notas de R$ 10 reais!
Vamos contar, crianças!?
 
─ Dez, Vinte, Trinta, Quarenta, Cinquenta, Sessenta... ... Cento Oitenta!
 
─ Meu Filho, aqui tem 180!
 
─ Como, mamãe? Eu pedi 200 do Papai Noel? A senhora contou certo? Conta de novo?
 
─ Tudo bem, filhinho! Vou contar novamente, diz a mãe.
 
─ 10,20,30,40,50,60,70,80,90,100,110,120,130,140,150,160,170,180!
 
─ Meu filho, tá faltando R$ 20 (vinte) reais.
 
- Poxa mãe, mas o Papai Noel mandou 200!
 
─ Deixa meu filho, talvez o Papai Noel esteja também com pouco dinheiro! Mas Deus tá vendo tudo lá de cima.
 
─ Tá bom, mãe. Vou lá pro meu quarto, diz a criança.
Chegando em seu quarto, a criança se ajoelha e começa a rezar ao lado de sua cama.
─ Querido Deus, obrigado por ter sempre me ajudado nos momentos difíceis. Amém!
 
Papai Noel! Agradeço bastante ao senhor, por ter enviado o meu pedido para ajudar na ceia de natal de nossa família. Peço desculpas. Eu sei que tem gente muito boa no Correio. Mas só quero pedir mais um favorzinho ao senhor! Pelo amor de Deus Papai Noel... Da próxima vez, não mande mais o pessoal do correio entregar minha cartinha. Eles ficaram com 20 reais, Papai Noel!

* O carteiro boa praça
 

VEJA MAIS

Publicidade
Publicidade
Publicidade

CURTA-NOS