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28/05/2018 - 13:10

A saída do Brasil é o aeroporto?

Arte - manausolimpica

 O vale-tudo continua


Por Warnoldo Maia de Freitas
 
Durante um bate papo descontraído no último fim de semana com um grupo de amigos, sobre o agravamento da crise registrada no Brasil, com a mobilização dos caminhoneiros contra o elevado preço dos combustíveis,que compromete o desempenho da economia e fomenta a inflação, alguns concordaram em um ponto: “a saída do Brasil é o aeroporto”.
 
Tal frase, verbalizada em 1988 por Odete Roitman (Beatriz Segall), vilã da telenovela ”Vale Tudo”, da Rede Globo, que mostrava a corrupção, a falta de ética e a inversão dos valores reinantes no Brasil no final dos anos 1980 e questionava, "até que ponto valia ser honesto no Brasil”, parece mais atual do que quando foi dita, há 30 anos.
 
Sim, porque a cada dia que passa a sociedade brasileira está mais contaminada pela corrupção, considerada sistémica, e boa parcela, sem saber qual rumo seguir, adota uma conduta classificada de “comportamento de manada” e  reage da mesma forma sem, sequer, questionar os fatos.
 
Os profissionais do voto, por exemplo, acomodados nas suas zonas de conforto e acostumados a só reagir após pressão popular, só agora, às vésperas das eleições de outubro e pressionados pelos caminhoneiros, perceberam que a carga tributária incidente sobre os combustíveis, mola propulsora da economia, gira em torno de 45 por cento.
 
Foi preciso os caminhoneiros se mobilizarem, parar o país e provocar um prejuízo superior aos R$ 10 bilhões à economia brasileira, para sensibilizar alguns membros da classe política e levá-los a se manifestar contra o preço alto dos combustíveis e questionar, por exemplo, o fato de a gasolina produzida no Brasil ser vendida por R$ 2,53 nos postos paraguaios, enquanto o consumidor brasileiro paga quase R$ 5,00 por cada litro do produto.
 
Como resultado da pressão dos caminhoneiros o governo resolveu congelar o preço do óleo diesel por 60 dias e conceder um subsídio de R$ 0,46 para cada litro de diesel, que custará cerca de R$ 9,5 bilhões aos cofres da União.
 
Quer dizer, acomodado e sem ter a noção exata do problema, o governo Temer considerou ser possível acabar com a mobilização dos caminhoneiros oferecendo, inicialmente, R$ 0,05 de redução sobre o preço do diesel, mas como a “piada” não foi bem recebida, acabou oferecendo mais e adiou a resolução do problema com uma medida paliativa, porque depois deste prazo o preço voltará a ser corrigido mensalmente, fomentando, naturalmente, a inflação.
 
E nesse vale-tudo da vida real, marcada por fatos concretos, é oportuno lembrar um trecho da letra da música “Ouro de Tolo”, feita há 45 anos por Raul Seixas, que destaca considerar “um saco” olhar no espelho e “Se sentir Um grandessíssimo idiota”.
 
A julgar pelos fatos é possível dizer que, o tempo passa, mas, no Brasil, muita coisa não muda nunca.
 

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