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05.01.2018 - 18:50  |  CONNECTED SMART CITIES

A cidade dos sonhos de Arthur não está nem entre as 100 mais inteligentes do Brasil

Reprodução

Arthur é considerado um político pragmático e habilidoso, mas está enfrentando problemas para transformar Manaus na cidade dos seus sonhos

 

Por Warnoldo Maia de Freitas
 
Apesar de despontar entre os oito primeiros municípios que respondem pelos maiores valores gerados pela economia brasileira, Manaus, a capital da Amazônia, e do conhecido Polo Industrial de Manaus, um dos mais modernos da América Latina, que reúne centenas de empresas que operam com tecnologia de ponta, não está nem entre o ranking das 100 maiores cidades mais inteligentes do Brasil, encabeçado por São Paulo.
 
De acordo com o ranking Connected Smart Cities, elaborado pela Urban Systems, publicado pela Exame, apesar de todos os esforços concentrados e desenvolvidos pelo prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB), particularmente na área da propaganda, para mostrar na televisão a “cidade dos sonhos” na qual Manaus está sendo transformada pela sua gestão, a realidade mostra que a cidade é superada por Belém, que aparece, timidamente, na 86ª posição, com 23,526 pontos.
 
Matéria da Exame mostra as 100 cidades mais inteligentes  
 
O quadro mostra que o PIB de Belém é inferior ao de Manaus
 
Critérios
 
Entre os critérios analisados em mais de 500 cidades brasileiras, no processo de identificação das “cidades mais inteligentes”, destacam-se a integração entre mobilidade, urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança, empreendedorismo e governança.
 
Tomando por base os dados econômicos disponíveis é possível dizer que falta vontade política em Manaus e compromisso dos gestores para otimizar e investir de forma correta os recursos disponíveis para proporcionar melhor qualidade de vida à população.

Só promessas
 
Na área da Educação e Cultura, um dos critérios analisados pela Urban Systems, a expansão do programa de reforço escolar, incluindo a oferta de conteúdos pedagógicos online de português e matemática para a Rede Municipal de Ensino, por meio da expansão do programa Escola Conectada, é uma das promessas de campanha ainda não cumprida.
 
Outra promessa diz respeito à criação do Portal da Família, para aproximar, por meio da ferramenta digital, o núcleo da família à vida escolar do aluno.
 
Também ainda não saiu do papel o Portal Jovem, que é um canal de comunicação dos serviços oferecidos pelo governo municipal e de interesse social, com espaço para sugestões de políticas públicas.
 
Já área do Meio Ambiente, a criação de um sistema diferenciado com coletores subterrâneos de lixo e de um novo aterro em parceria com os órgãos de controle e instituições de ensino e pesquisa, além de parceria público-privada ainda são promessas.
 
O mesmo ocorre com a criação e implantação do Parque Municipal da Nascente do Igarapé do 40, na Zona Leste de Manaus, com o objetivo de proteger os recursos hídricos, a fauna e a flora.
 
No Turismo, o projeto “Manaus Panorâmica, que prevê a construção de cinco terminais de embarque turísticos na orla de Manaus: Tupé, Ponta Negra, Centro, Encontro das Águas e Remanso do Boto, também não decolou.
 
A criação da Escola Gastronômica de Manaus, para fortalecer o polo gastronômico da cidade, e criar novas oportunidades de trabalho e renda para a população e apoio aos empreendedores, também não foi implementado.
 
Há quem apresente como justificativa para a não realização das promessas de campanha a falta de dinheiro, gerada, em parte pela crise econômica. Mas se já sabiam, antecipadamente, da falta de recursos para realizar tanta coisa, por que prometeram tanto?
 
Houve erro no planejamento estratégico ou prevaleceu um vício antigo registrado no meio político, de sempre se prometer muito para conquistar a simpatia e o voto do eleitor e depois só realizar o que interessa para o político e o seu grupo?
 
Pragmático e fanfarrão
 
Considerado por uns um político pragmático e habilidoso, por não medir esforços para atingir os seus objetivos, e por outros, de acordo com as mensagens encaminhadas ao “manausolimpica”, simplesmente “um grande fanfarrão”, por prometer o que não pode cumprir, Arthur ainda não conseguiu transformar Manaus.
 
Algumas pessoas confessam ter perdido as esperanças, por entender que “estamos mal representados”, e sentir “raiva do prefeito lambanceiro, porque ele não disfarça mais as m..... seguidas que faz e fica rindo da cara de todo mundo, enquanto viaja”.
 
“Manaus está abandonada”, com ruas esburacadas, particularmente na periferia, onde, centenas de bueiros continuam sem tampas, ameaçam a vida de muitas crianças e tiram o sono de muitas mães.
 
Sistema viário
 
Há quem aponte como o principal gargalo da cidade o seu sistema viário que, com o frequente rompimento de tubulações de distribuição de água e a quebra sistemática de ônibus, inviabiliza a mobilidade urbana e se constitui em um teste olímpico de paciência ao qual milhares de pessoas estão sempre submetidas.
 
Entre as soluções para o problema algumas pessoas apontam a necessidade de se fazer três tipos de obras na cidade para melhorar o trânsito e, consequentemente, a qualidade de vida das pessoas:
 
Pequenas obras, que a prefeitura consegue fazer, tipo direita livre, pequenas interligações, e pontes, entre outras.
 
Médias obras como, por exemplo, a da avenida Maceió, que a prefeitura pode fazer, mas se contar com a parceria do Governo do Estado, melhor, porque agilizará suas realizações.
 
Grandes obras estruturantes como a avenida das Torres, viadutos e passagens de nível, que necessitam de recursos externos para sair do papel.
 
Saneamento básico
 
Mas também há quem considere o saneamento básico o principal problema de Manaus, uma cidade que está encravada no “seio da floresta amazônica e precisaria dar o exemplo para o mundo”, particularmente, no quesito, considerado um dos mais importantes na questão do desenvolvimento sustentável.
 
Como justificativa apontam o fato de Manaus ocupar, desde 2013, a 96ª posição entre as 101 maiores cidades do Brasil e a 24ª colocação entre as 27 capitais do país.
 
Quer dizer, ocupa as últimas colocações nesse ranking, mas, nem por isso se viu nos últimos anos ações efetivas destinadas a fortalecer o processo de saneamento básico na cidade, que ainda convive com esgotos a céu aberto, que poluem os ares e os espíritos dos amazonenses e de quem passa por Manaus.
 
Mas, ninguém pode esquecer que, praticamente 11 anos após o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltado para a expansão do saneamento, o Brasil, a sétima economia do mundo, ainda está “empacado na 112ª posição entre 200 países pesquisados, segundo o estudo do Instituto Trata Brasil.
 
Mais apoio do governo
 
Os defensores do prefeito Arthur Neto destacam que ele tem feito o que é possível, com os “parcos recursos disponíveis”, visando, sempre, assegurar o bem-estar da população.
 
Como exemplo citam fato de o gestor ter “aprimorado o que pode para deixar a economia sustentável” e garantido todos os planos de carreira e datas base, assegurando, desta forma, comida na mesa dos servidores e empregos públicos e privados, ao contrário do registrado em muitas cidades brasileiras.
 
Essas pessoas destacam que Manaus é uma cidade estado, que representa mais de 50% da população do Amazonas, mas tal fato não tem sensibilizado os governos estaduais, que nos últimos anos investiram quase nada em infraestrutura.
 
Segundo elas, para fazer frente às necessidades da cidade, que apresenta a menor densidade demográfica do país, a Prefeitura de Manaus precisa contar “com o comprometido apoio” do Governo do Estado.
 
Trocando em miúdos, algumas pessoas destacam que por ser uma cidade espraiada, que se desenvolveu em função de muitas invasões não planejadas, Manaus necessita, hoje, de mais recursos para fazer frente às suas necessidades de saúde, educação, transporte, iluminação pública, produção e distribuição de água, entre outros itens.
 
Veja o ranking completo
2017 2016 Cidade Pontuação
 
São Paulo (SP) 33,197
Curitiba (PR) 32,472
Rio de Janeiro (RJ) 32,125
Belo Horizonte (MG) 30,785
Vitória (ES) 30,426
Florianópolis (SC) 30,281
Brasília (DF) 29,987
10º Campinas (SP) 29,788
13º São Caetano do Sul (SP) 29,418
10º Recife (PE) 29,339
11º 11º Porto Alegre (RS) 29,283
12º 12º Santos (SP) 29,026
13º Barueri (SP) 29,013
14º 14º Campo Grande (MS) 28,881
15º 25º Palmas (TO) 28,365
16º 15º Goiânia (GO) 28,294
17º 18º Salvador (BA) 28,031
18º 16º Niterói (RJ) 27,894
19º 17º Maringá (PR) 27,334
20º 30º São Bernardo do Campo (SP) 26,978
21º 21º Jundiaí (SP) 26,968
22º 19º Ribeirão Preto (SP) 26,956
23º 45º Londrina (PR) 26,933
24º 32º Juiz de Fora (MG) 26,73
25º 20º Petrópolis (RJ) 26,569
26º 22º Santo André (SP) 26,51
27º 23º Blumenau (SC) 26,466
28º 31º Uberlândia (MG) 26,321
29º 29º Fortaleza (CE) 26,228
30º 55º Indaiatuba (SP) 26,146
31º 26º Piracicaba (SP) 26,109
32º 33º São José do Rio Preto (SP) 25,944
33º 59º Uberaba (MG) 25,929
34º 35º Itajaí (SC) 25,897
35º 27º Joinville (SC) 25,737
36º 67º Cajamar (SP) 25,699
37º 24º São José Dos Campos (SP) 25,669
38º 71º Paulínia (SP) 25,663
39º 40º Vinhedo (SP) 25,657
40º 49º Resende (RJ) 25,62
41º 64º Colatina (ES) 25,598
42º 36º Macaé (RJ) 25,512
43º 38º Amparo (SP) 25,438
44º 79º Cuiabá (MT) 25,407
45º 70º Limeira (SP) 25,328
46º 28º Teresina (PI) 25,208
47º 47º João Pessoa (PB) 25,191
48º 83º Botucatu (SP) 25,167
49º 63º Presidente Prudente (SP) 25,049
50º 57º Marília (SP) 25,028
51º 86º Jaguariúna (SP) 24,976
52º 44º Araraquara (SP) 24,961
53º 52º Cascavel (PR) 24,92
54º Salto (SP) 24,884
55º 75º Valinhos (SP) 24,874
56º 43º Osasco (SP) 24,81
57º Americana (SP) 24,631
58º Itumbiara (GO) 24,594
59º 77º Dourados (MS) 24,578
60º 60º Sorocaba (SP) 24,551
61º 82º Praia Grande (SP) 24,361
62º 61º Balneário Camboriú (SC) 24,324
63º Patos de Minas (MG) 24,311
64º 81º Pato Branco (PR) 24,291
65º Catanduva (SP) 24,174
66º Itatiba (SP) 24,124
67º 76º Guarulhos (SP) 24,099
68º Araras (SP) 24,022
69º Joaçaba (SC) 24,013
70º Cachoeiro de Itapemirim (ES) 23,965
71º 51º Natal (RN) 23,931
72º 80º Ilha Solteira (SP) 23,931
73º Hortolândia (SP) 23,861
74º Cubatão (SP) 23,784
75º 37º Contagem (MG) 23,751
76º 73º Viçosa (MG) 23,731
77º 56º Umuarama (PR) 23,699
78º 58º Bauru (SP) 23,658
79º 65º Volta Redonda (RJ) 23,616
80º Cotia (SP) 23,606
81º 50º Santa Maria (RS) 23,596
82º 46º São Carlos (SP) 23,577
83º 85º Linhares (ES) 23,576
84º Ouro Preto (MG) 23,573
85º Itaúna (MG) 23,557
86º Belém (PA) 23,526
87º 54º Anápolis (GO) 23,519
88º 97º Jataí (GO) 23,495
89º 68º Toledo (PR) 23,461
90º Atibaia (SP) 23,458
91º Sete Lagoas (MG) 23,434
92º Itupeva (SP) 23,432
93º 66º Mauá (SP) 23,423
94º 78º Aracaju (SE) 23,408
95º Itu (SP) 23,392
96º Jaboticabal (SP) 23,331
97º 84º Campina Grande (PB) 23,308
98º 62º Poços de Caldas (MG) 23,285
99º Mogi Guaçu (SP) 23,274
100º Diadema (SP) 23,249
 
 
 
 
 
 

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