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11.01.2018 - 07:05  |  ENTREVISTA DA SEMANA

MDB não é oposição ao governo Amazonino, afirma Alessandra Campelo

Jimmy Christian

Alessandra Campelo

 

Líder do MDB, que deixou de ser PMDB no dia 19 de dezembro passado, na Assembleia Legislativa do Amazonas, deputada Alessandra Campelo afirma que se considera independente, revela que já teve reunião com Amazonino Mendes porque tem a confiança do partido, diz “não ser impossível” uma aliança com o governador para as eleições 2018, mas adianta que nada está definido porque “a conjuntura política” até lá “é imprevisível” e muita coisa pode acontecer.  Também garante que a desavença da campanha eleitoral com os dois colegas de partido que acompanharam Amazonino e não o senador Eduardo Braga para o governo, não existe mais e o MDB “está pacificado” na casa legislativa.
 
Confira a entrevista.

Elizabeth Menezes
 
O deputado Sidney Leite (ex-secretário da Casa Civil) está voltando para a Assembleia Legislativa e segundo especulações, pode assumir a liderança do governo, uma vez que o líder atual não teria conduzido bem a bancada quando da votação do orçamento, em dezembro passado. A senhora acha que a troca de liderança do governo vai mudar alguma coisa no atual quadro de correlação de forças na Assembleia, que hoje estaria em 12 a 12?
 
Eu acredito que não. Na verdade, quando o Sidney voltar, ele volta para substituir um deputado que já estava na base, que era o Donmarques Mendonça, suplente dele. Mas acho que esse quadro se mantém. Porque o que tem havido aqui é uma posição muito individual de cada deputado. Então, eu acho que isso independe da mudança de líder. É uma questão de número de deputados, mesmo.
 

Mas poderia haver alguma mudança com a troca do líder Dermilson Chagas por Sidney Leite?
 
Talvez a maturidade política do deputado Sidney Leite possa fazer alguma diferença. Mas eu acredito que essa correlação de forças depende muito da matéria que vai ser votada. Por exemplo, em relação às matérias que foram votadas no final do ano. Se você observar, a matéria onde a base governista perdeu a votação, o próprio governador era favorável. Tanto é que ele sancionou, não vetou. Essas matérias, inclusive algumas de minha autoria, são para dar benefício dos policiais. Acho que faltou mesmo foi uma sintonia da própria base com o governador, que naquele momento da votação estava viajando, mas que era favorável às matérias. Acho que foi um erro de comunicação da base com o governador.
 
Quais os benefícios para os policiais?
 
As matérias votadas foram relativas a promoções do ano de 2016, que estão em atraso. Pega alguma coisa do início de 2017, em relação também aos policiais militares. São também benefícios relativos à última parcela do escalonamento da Polícia Civil, o auxílio-fardamento para os policiais militares e bombeiros e para a segurança pública, de forma geral. São essas as medidas que foram votadas.
 
A senhora acabou de dizer que as matérias que a base rejeitou, foram sancionadas pelo governador...
 
Porque já era um compromisso de campanha do governador. E eu realmente não entendi por que a base lutou tanto contra essas matérias, já que o próprio governador e o vice-governador (Bosco Saraiva), que é secretário de Segurança, tinham um compromisso com essas matérias. O que eu fiz, ao apresentar essas matérias, foi um ajuste ao orçamento que tinha sido feito sem contemplar essas questões.
 
Então, o que houve?
 
Houve um grande equívoco por parte da base governista, que tinha um grande vício em rejeitar matérias oriundas de deputados que não fizessem parte da base. Um vício de ser contra matérias de deputados da oposição. Eu só vejo dessa forma. Parece-me aquele vício do cavalo que só sabe olhar numa direção, que tem um tapa-olho que fica ali do lado. Que só sabe olhar numa direção e não consegue olhar para os lados. Simplesmente não sabem dialogar, não conseguem conviver na adversidade. Acho que esse foi um erro político muito grave e mostra que os deputados têm que aprender a conviver dentro da adversidade e têm de aprender a dialogar neste momento político que todo o país está vivendo.
 
Deputada, mas se aconteceu isso, o que faltou? O governador e os deputados não se entenderam, não teve orientação do governador?
 
Acho que o governador confiou na habilidade política que, simplesmente, a base não teve.

Na atual correlação de forças políticas na Assembleia Legislativa, tem deputados da oposição, deputados independentes...
 
Eu não me considero da oposição. Eu me considero uma deputada independente. Eu tenho autoorientação política, tenho a confiança do meu partido, como líder, em me posicionar no que eu acho correto no que acho errado. Tanto que eu tenho a confiança do meu partido para conversar com o governador Amazonino, quando eu acho necessário. Já tive, inclusive, reuniões com ele.
 

Isso pode resultar em alguma aliança na eleição 2018? O PMDB poderá estar com Amazonino?
 
Não é impossível, mas não é algo que esteja definido. Eu acho que a conjuntura política até as eleições  é imprevisível, porque muita coisa pode acontecer. Mas hoje, a nossa principal preocupação não é essa. Nossa preocupação agora é fazer um bom mandato para que a gente esteja em condições de ser uma opção eleitoral para qualquer cargo, quando as eleições chegarem. Essa é a nossa preocupação hoje: ter um bom mandato para ser uma opção para qualquer cargo no período das eleições. E aí quando as eleições chegarem, vamos poder fazer o que for melhor para a gente, para a população.
 
Que leitura se pode fazer sobre o fato de dois deputados do PMDB terem apoiado abertamente a candidatura de Amazonino Mendes, quando o partido tinha como candidato ao governo o senador Eduardo Braga? E os deputados Vicente Lopes e Wanderley Dallas continuam no MDB, sendo que este último agora é vice-líder do partido. Como essa situação foi resolvida?
 
Sim, o Wanderley Dallas é o meu vice-líder. A relação está tranquila com eles. Porque nós não somos oposição ao governo. Temos um papel independente e por isso não há nenhum óbice a votar junto ou contrário ao governo. Porque nós não somos oposição ao governo. Portanto, a bancada está liberada para votar a favor ou contra as matérias do governo.
 
Para não deixar dúvida: o MDB não é oposição ao governo Amazonino Mendes?
 
Nós temos uma posição independente em relação ao governo do Amazonino.
 
Essa é a orientação do partido?
 
É a orientação do nosso partido. Eu, como líder, posso dizer isso: não somos oposição. Temos uma posição de independência. Temos a coerência para votarmos de acordo com o que considerarmos certo ou errado.
 
Então o MDB, na Assembleia Legislativa, está apaziguado, depois daquela desavença na campanha eleitoral?
 
O PMDB está apaziguado. Houve, sim, no período eleitoral...Porque nós tínhamos uma orientação e os deputados seguiram outra, naquele momento. E como punição foi tirada a liderança (de Vicente Lopes) e a vice-liderança (de Wanderley Dallas). Mas depois (da eleição) e após reuniões internas, nós apaziguamos e chegamos a um denominador comum de manter a união partidária. Estamos em paz dentro do MDB.
 
Tudo isso com as bênçãos do senador Eduardo Braga, presidente regional do MDB?
 
De toda a executiva do partido e não apenas do senador.
 
 
 
 

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