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01.08.2018 - 11:00  |  ENTREVISTA

Não existem bandidos velhos. Existem bandidos novos. Confira a entrevista de Pablo Oliva

Reprodução

Pablo Oliva

 
O problema não está na política. O problema está nos políticos, afirma Pablo 
 
Aos 42 anos, amazonense, casado e pai de uma filha, formado em Direito Processual, mestre em criminologia e investigação policial pela Interpol, fluente em inglês e francês, Pablo Oliva é delegado da Polícia Federal, onde trabalha há mais de dez anos e, pela primeira vez, filiou-se a um partido político para disputar uma vaga de deputado federal. Ele sustenta que a corrupção “está por trás de todos os problemas”, que a segurança pública não é prioridade para os governos, que as pessoas estão reféns da criminalidade, diz que “a política é bonita e serve para governar na democracia” porém a maioria dos políticos não se preocupa “com a evolução das pessoas”,  gara nte que Jair Bolsonaro é o melhor candidato para presidente do Brasil e define como “falsas” as críticas de que ele seja homofóbico e preconceituoso.
 
Confira a entrevista    

Elizabeth Menezes  

Qual a sua principal motivação para disputar um cargo eletivo?
 
É a primeira vez que eu me filio a um partido político e a primeira vez que eu resolvo concorrer a um cargo eletivo também.  A motivação principal é porque eu tenho a mesma indignação que todos os brasileiros têm com a política atual e com os representantes que temos eleitos. Essa indignação é o que nos faz colocar o nome à disposição das pessoas para escolha nesse outubro agora, que está chegando.
 
Na Assembleia Legislativa, dois deputados são policiais militares e a maior parte da atuação de ambos diz respeito aos problemas da corporação. Caso seja eleito deputado federal, o que a população pode esperar do seu mandato?
 
Em termos de segurança pública, a representatividade de dois policiais militares na Assembleia do Amazonas, demonstra o quanto é importante a pauta para nós amazonenses. E na verdade vem ficando mais importante, porque os governos atuais não consideram a segurança pública como prioridade. Infelizmente. E a gente vive numa insegurança completa. Antes, nós só tínhamos a sensação de insegurança. Hoje, a gente vive em insegurança mesmo.  Há uma falsa verdade aí de que só há guerra de gangues, que as coisas estão sob controle, mas não estão.  Na semana passada morreram dez pessoas no sábado e 12 no domingo. E a vida humana está começando a virar uma banalid ade.  Eu trabalho com segurança publica faz tempo, e acho que há muitas coisas a ser melhoradas. Muitas mesmo. Todos os parlamentares, tanto estaduais quanto federais, deveriam tirar uma parte do seu tempo, dos seus recursos, sejam eles humanos, materiais ou financeiros, para resolver esses problemas. Porque não adianta  melhorar a economia, não adianta correr atrás de emprego, não adianta fazer nenhuma coisa dessas, se as pessoas não estão seguras. Hoje, nós somos reféns da criminalidade.
 
Com a sua experiência de delegado da Polícia Federal, pode dizer se a instituição precisa de mais atenção do governo federal? Isso porque, aqui no Amazonas, por exemplo, não faltam reclamações de policiais militares e civis, que se queixam desde os baixos salários até falta de fardamentos. 
 
É indispensável uma atenção específica  à segurança pública. Seja na Polícia Civil, seja na polícia militar, seja na polícia federal. O que precisa, o que a população  precisa entender é que têm de ser colocadas várias medidas de solução agora. Essas medidas imediatas passam pelo reforço da polícia, concurso público, melhoria de estrutura, melhoria de condições de trabalho dos policiais. E a médio e longo prazo um trabalho com a população inteira geral.  Não existem bandidos velhos. Existem bandidos novos. Se você fizer um trabalho com as crianças de oito anos de idade,  hoje,  quando elas chegarem à maioridade aos 18 anos, elas não vão entrar na criminalidade.  E aquelas que entraram com 18, já estarão saindo da criminalidade, por vários motivos. Porque é estatístico. Então, se fizer um trabalho a longo prazo, você vai ter, daqui a dez anos, a tranquilidade.  E nos dias de hoje, para que a marginalidade seja combatida, é preciso medidas enérgicas, o que não está acontecendo.
 
Então os seus planos e projetos para o caso de ser eleito serão na área de segurança?
 
Segurança e combate à corrupção. A corrupção está por trás de todos os problemas.  Você deve conhecer alguém que está desempregado. Pois acredite: o desvio de recursos é tão grande que as empresas não podem contratar, as empresas têm as cargas de juro elevadíssimas no país e isso cada vez mais vai colocando gente fora do mercado de trabalho. É preciso um trabalho enérgico em cima do desvio, do roubo mesmo, dos recursos públicos. Estou saindo candidato porque trabalhei mais de dez anos Polícia Federal, inclusive contra a corrupção e  políticos corruptos.  E vi que s e eu não  trabalhasse para que eles fossem substituídos,  daqui a três, quatro anos, eu estaria fazendo novas operações e novas prisões.
 
O sr. é do mesmo partido do deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato a presidente do Brasil. Como será a sua participação na campanha dele, aqui no Amazonas? 
 
Na verdade, a campanha dele tem todo o apoio meu. Eu sou o deputado federal  que ele escolheu. Isso está nos vídeos, na internet: o apoio do Jair Bolsonaro a mim, de mim pra ele, é apoio total e absoluto.

O sr. tema alguma discordância sobre as posições do Bolsonaro?
 
Não existe candidato perfeito. Existem posições às vezes que são mais polêmicas do que as outras, mas eu posso lhe dizer, com muita tranquilidade, que o deputado Jair Bolsonaro é o que o Brasil precisa para 2018, para presidente da República.

Qual sua opinião sobre as críticas contra Bolsonaro, quando o chamam de homofóbico, racista e preconceituoso? Há exagero nessas críticas?
 
Acho que todas elas são falsas.  Quando você tem uma pessoa que já começa idolatrada, que já é acompanhada por toda parte, como é o caso do deputado Jair Bolsonaro, você tenta destruir a personalidade daquele indivíduo. É muito comum. Todos os grandes líderes do mundo passaram por isso. E até as menores pessoas, quando começam a gerar um pouco de luz, ou subir a algum lugar que seja um pouco mais alto, elas viram alvo de pedradas. Então, o nosso futuro presidente da República não vai escapar disso. Chamaram de homofóbico porque ele defende a família.  Ou de racista porque ele defende a igualdade das pessoas, a igualdade de oportunidades. É apenas uma forma de discurso.  Quando não se pode mudar fatos, tenta-se mudar argumentos.
 
                                                     
 
Ainda não tem um vice para o Bolsonaro. E o interessante é que apontam três opções de candidatos, sendo um deles astronauta e outro um príncipe. 
 
Essa questão de conjugação partidária, de escolha de vice-presidente, é uma decisão  muito difícil, muito incomum. Pode ver no Estado do Amazonas. Há vários candidatos a governador, mas não tem vice ainda.  A última coisa a ser decidida entre as convenções é o vice.  Na prática, essa escolha é realmente muito difícil.  Mas hoje eu sei que, pelo menos, a melhor escolha para presidente da República é o Bolsonaro. O vice vem na consequência.

O que o sr. considera como erros mais sérios cometidos pelos governantes e a classe política em geral? 
 
O que eu vejo na política do Brasil em geral e no Amazonas não é exceção, é que está faltando representante das pessoas. Hoje, o que temos é representante de si mesmo. Você vai a qualquer casa legislativa ou a qualquer  local, você encontra a maioria dos políticos, não são todos, não podemos ser injustos, mas a maioria deles  só faz crescer a eles mesmos. Não estão preocupados com o crescimento do Estado, não estão preocupados com a evolução das pessoas. Eles só estão ficando preocupados de ficar melhores para si mesmas. Nós temos aqui dinastia de poder. Temos políticos de cinco, sete mandatos e que não disseram até hoje a que vieram. Se você parar para observar e ver as realizações deles, eles só estão fazendo realizações em benefício próprio e não do nosso povo. Esse é o pior problema que temos na classe política atual. Porque existe uma questão até triste, dos brasileiros, que é achar que a política é o problema. O problema não está na política. O problema está nos políticos.  A política é muito bonita. É a maneira que você tem de governar com a democracia.  O problema são as pessoas que entram lá.  Elas  subvertem a lógica.
 
A que o sr. atribuiu o fato de a política não atrair pessoas mais jovens, os mais críticos para disputar mandatos? A academia deveria participar mais diretamente?
 
Acho que a política deveria ter representante de todas as classes. O que acontece com o nosso povo, hoje, é uma completa insatisfação com a política.  Na eleição-tampão, do ano passado, os grandes vencedores foram os votos nulos e brancos.  Significa que a população não está somente indignada, mas também que ela reprova os políticos. Tanto reprova que não consegue nem escolher entre  as opções que são colocadas. Eu resolvi ser pré-candidato porque imaginei o seguinte: as pessoas estão precisando de opções sérias e honestas. Gente que as pessoas possam olhar e dizer: nesse cidadão eu confio.  E acredito que vários outros cidadãos de boa índole também sairão candidatos.
 

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