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07/10/2019 - 18:30

Por que o filho do rico, drogado, é doente e o do pobre é bandido?

Preconceito ?

Discriminação e preconceito
 
 
Por Warnoldo Maia de Freitas 
 
 O Brasil continua o mesmo do período do descobrimento no pleno alvorecer do século XXI, apesar dos inúmeros avanços registrados em vários setores, e o filho do rico, quando drogado ou flagrado cometendo qualquer delito, logo é classificado como doente, mas o do pobre é enxovalhado, crucificado e identificado como bandido.
 
Sem querer entrar no mérito da questão, uma vez que o próprio Código Penal Brasileiro assegura isenção de pena ao parente que  "auxilia a subtrair-se à ação de autoridade pública autor de crime a que é cominada pena de reclusão", o assassinato do engenheiro Flávio dos Santos, envolvendo o filho da companheira do prefeito Arthur Neto (PSDB), evidencia e desnuda uma realidade sempre jogada por muitos para debaixo do tapete.
 
Quer dizer, o filho do rico quando é detido pela polícia com alguma quantidade de droga quase sempre não tem seu nome divulgado nas reportagens de jornais e televisões, e é logo considerado "um coitadinho", é enquadrado como doente e por essa razão carece de tratamentos especiais.
 
Já o filho do cidadão comum, do trabalhador que sobrevive de salário mínimo, da lavadeira, da cozinheira, de pessoas simples, que não têm influência, conhecimento ou recursos para bancar advogados caros, acaba geralmente preso, é identificado como bandido e tem seu nome estampado nas manchetes dos jornais.
 
Razões
 
O vereador Marco Antônio Chico Preto (PMN) trata a questão administrativa e tem razão quando cobra explicações da Casa Militar da Prefeitura de Manaus, porque o Legislativo municipal tem o dever de ofício de fiscalizar e investigar a gestão municipal e ninguém deve esquecer que a polícia identificou a participação de servidores do Executivo municipal e utilização de carro contratado pela Prefeitura de Manaus para a remoção do corpo do engenheiro do local do crime e desova em terreno próximo.
 
O líder do prefeito na Câmara Municipal de Manaus (CMM), Marcel Alexandre (PHS), também tem razão quando pede cautela sobre a análise dos fatos e aponta a necessidade de se esperar o resultado do trabalho da polícia e do poder Judiciário antes de se adotar possíveis medidas políticas destinadas a responsabilizar o prefeito Arthur Neto pela conduta adotada logo após tomar conhecimento do envolvimento do seu enteado no crime.
 
Justificativas 
 
O momento é de dor, tanto para a família do prefeito quanto para a da vítima, mas não se pode ou deve usar isso para justificar ações destinadas a amenizar responsabilidades por condutas adotadas, porque a ninguém é dado o direito de dizer que desconhece a lei e a maioria da pessoas sabe que a prática de ocultação de cadáver, bem como a divulgação de informações destinadas a dificultar a ação da polícia, a gerar a formulação de um raciocínio inverso aos fatos verdadeiros são condutas tipificadas como crime.

De quem é a culpa?
 
A culpa é de todos nós, porque insistimos em fazer de conta que está tudo bem e não damos a real atenção para os verdadeiros problemas que nos cercam, e insistimos em encarar a política como assunto sem importância e nos esquecemos que a mudança desejada por muitos passa, necessariamente, pela ação dos políticos, dos profissionais do voto que elegemos sistematicamente para nos representar em todas as esferas do Legislativo, mas que, muitas vezes, só se interessam em cuidar dos seus próprios interesses.
 
A Constituição Cidadã, aquela promulgada em 5 de outubro de 1988, dispõe no seu Artigo  5º que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Mas, contudo, entretanto, todavia, a legislação brasileira não trata a todos do mesmo jeito e quem tem dinheiro e família influente, quer dizer, é considerado cidadão classe A, é sempre beneficiado.
 
A própria Carta Magna, elaborada "pelos representantes do povo", assegura tratamento VIP, especial para os chamados  cidadãos classe A e lhes garante "foro especial" ou "foro privilegiado", colocando por terra a ideia de igualdade, uma vez que garante a aplicação de regras diferentes para esse grupo.
 
E no fim dessas histórias, registradas em praticamente todos os pontos do Brasil, as vítimas dessa desigualdade aprovada por tantos e asseguradas pela legislação acabam amargando a impunidade dos seus algozes.
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

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