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21.01.2020 - 09:25  |  Guedes em Davos

Paulo Guedes tem razão, mas os humanos que vivem na Amazônia também têm direitos e sonhos

Reprodução - Exame

 A pobreza é o grande inimigo do meio ambiente, mas os humanos que vivem na Amazônia também têm sonhos e aspirações, bem como o direito a querer uma vida melhor


Por Warnoldo Maia de Freitas


A afirmação do ministro, que evidencia a posição do governo brasileiro, não é nenhuma novidade, porque Guedes repetiu agora, em Davos, o que já foi ditoem 04 de dezembro de 2019, ao jornal espanhol El Pais, pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Paulo Guedes também está certo ao afirmar que "a busca dos humanos é sempre pela criação de vidas melhores", mas o ministro não pode e não deve esquecer que os humanos que vivem na Amazônia - uma região formada por nove países - também têm sonhos e aspirações e o direito sagrado de querer uma vida melhor, da mesma forma que os outros que vivem nas grandes cidades.

Ao contrário daqueles "animais" que escaparam da natureza, os amazônidas que insistem em sobreviver junto com ela -enfrentando as constantes ameaças colocadas em prática pelos interesses inconfessáveis daqueles que só vislumbram a possibilidade de tirar proveito dos recursos naturais da região -, acreditam ser possível usar com racionalidade todos os recursos  disponíveis, agregar valor aos produtos da floresta e combater a pobreza que preocupa a todos e ilustra os discursos dos ministros brasileiros.

Contradição

Na entrevista concedida em dezembro passado ao El Pais o ministro do Meio Ambiente destaca, sem meias palavras, que "se não resolvermos a questão da pobreza, não haverá preocupação com a questão do meio ambiente", porque a pobreza é o maior inimigo do meio ambiente.

Salles disse, ainda, que "o que deve ser levado em conta é que as pessoas que vivem na Amazônia têm a maior quantidade de recursos naturais e, ao mesmo tempo, são as mais pobres de todo o país".

Se por um lado o discurso não é novidade para ninguém e revela uma sintonia fina entre os ministros, as ações colocadas em prática evidenciam, por sua vez, uma tremenda contradição, principamente quando se leva em conta as constantes medidas colocadas em prática contra o bem sucedido modelo Zona Franca de Manaus, um dos principais geradores de tributos federais na região Norte.

Vale lembrar que o modelo ZFM, que sobrevive há 53 anos às inúmeras ações colocadas em prática por quem acredita que só quem mora no Sul e Sudeste do Brasil tem direito às riquezas do país, foi criado para substituir importações, gerar empregos, renda e contribui de forma significativa com a balança comercial brasileira, porque importar insumos e agregar valor no país é mais barato do que importar produtos acabados.
       
Para o Brasil e para a Amazônia é crucial promover e agilizar a educação e a qualificação dos cidadãos da região, bem como acelerar a impantação de mecanismos capazes de viabilizar o pleno aproveitamento de novas matrizes econômicas e, particularmente, o potencial da biotecnologia da região, cantada em versos e prosas há vários anos, mas deixada de lado por vários governos, que teimaram em não sair do discurso para a prática.

Ministro, como o senhor bem lembrou, "o Brasil ficou para trás em relação ao acompanhamento das modernidades do mundo", mas, ainda dá tempo de acompanhar a grande onda da globalização e aproveitar a tecnologia de ponta das empresas que operam a partir do Polo Industrial de Manaus para combater a temida pobreza, promover capacitação, integração e desenvolvimento sustentado sem comprometer o meio ambiente.

Sim, porque sem o apoio do modelo Zona Franca de Manaus certamente a pobreza, fomentada com o fechamento das fábricas que geram emrpego e renda para milhares de pais de família, se agravará e na luta pela sobrevivência esses "humanos" que  moram no Amazonas serão levados a buscar novas alternativas e a ameaçar a floresta em pé. 

Sem o apoio da indústria de ponta aqui instalada, certamente será ainda mais difícil instruir os trabalhadores e prepará-los para um novo mundo.
 
 
 
 

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