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16.05.2019 - 08:30  |  Coari

Câmara de Coari cassa quatro vereadores que classificam a medida como retaliação

Reprodução

Plenário da Câmara de Coari

 

Parlamentares que faziam oposição ao prefeito Adail Pinheiro Filho dizem que cassação foi uma retaliação

Por Warnoldo Maia de Freitas
 
A Câmara Municipal de Coari cassou na noite da quarta-feira, 15/5, os vereadores Ademoque Rebouças da Silva Filho (PSDC), Ewerton Rodrigo Alves Medeiros (DEM), Samuel Pereira de Castro (PSL) e Aldervan de Souza Cordovil (PTB), por quebra de decoro para com a função pública, de acordo com o parecer da Comissão Processante, que teve como relator o vereador Carlos Endrick dos Santos Nascimento.
 
A ação considerada inédita na política amazonense ocorreu, segundo fontes de Coari, porque os quatro parlamentares cassados faziam sistemática oposição ao prefeito Adail Filho (PP) e teriam provocado a ira do chefe do Executivo municipal ao encaminhar ao Ministério Público do Amazonas (MP/AM) denúncias sobre irregularidades registradas na administração do município. 
 
“Agora o prefeito Adail Filho vai poder fazer o que bem entender na cidade, porque não existe mais ninguém no Legislativo de Coari para fiscalizar, cobrar e denunciar as ações equivocadas do prefeito. A Câmara Municipal assumiu de vez que é chapa branca”, afirmou um morador da cidade, que optou pelo anonimato com receio de sofrer perseguição.
 

Retaliação 
 
O vereador Samuel Novo classifica a sua cassação e a dos outros três vereadores de oposição como “uma retaliação, uma manobra do prefeito Adail Filho para tirar a oposição da Câmara de Coari”.
 
“Fomos cassados pela Câmara de Coari para atender a uma determinação do prefeito Adail Filho. Na verdade, essa é a quarta tentativa do prefeito Adail de nos cassar. Ele fez essa manobra com base em um áudio, destacando que nós estávamos promovendo e divulgando calúnias. Isso não existe. O que existe são dez pedidos de afastamento feitos por nós no Ministério Público contra o prefeito aqui de Coari. Já as denúncias dele contra nós foram todas arquivadas no Ministério Público. Mas, aqui na Câmara, como ele tem maioria, uma vez que a sua base de apoio reúne 11 vereadores, ele prevalece sobre nós da oposição, que somos apenas quatro. Como a Câmara faz o que ele quer nós estamos sofrendo essa retaliação, essa perseguição”, explicou Samuel.
 
Segundo Samuel Novo, as denúncias encaminhadas ao Ministério Público do Amazonas versam sobre desvio de dinheiro púbico, fraudes em licitações e direcionamento de licitações para empresas amigas.
 
“Tem muita irregularidade aqui em Coari. Aqui impera a ditadura do Adail. Aqui ele manda e desmanda e tudo tem que ser do jeito que ele quer. Mas nós vamos tentar reverter na justiça essa cassação”, completou.
 
Recusa gerou perseguição
 
Segundo o vereador Ademoque Filho, a perseguição política por parte de Adail Filho começou quando eles se recusaram, no início de 2018, a aprovar a prestação de contas de Adail Pinheiro, pai do atual prefeito, que foi rejeitada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE/AM).
 
”Ele queria que nós aprovássemos a prestação de contas de sete anos da administração do pai dele, que foi obrigado pela justiça a devolver milhões para o município de Coari. Mas como nós da oposição nos recusamos começou a perseguição política. Mas estamos tranquilos porque confiamos na Justiça e temos a certeza de que essa situação vai ser revertida”, disse ele, destacando que Coari está afundando devido à má administração.
 
Não vai se manifestar 
 
Alcançada pelo Whats App a assessoria de imprensa do prefeito de Coari, Adail Filho, disse que ele não iria se manifestar sobre o assunto, por entender que a questão diz respeito ao Legislativo.
 
 

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