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09/04/2018 - 13:15

AMOR DE ME A DISTNCIA

Edclei Vasconcelos

 

* Edclei Estevam de Vasconcelos
 
É fato que em muitos momentos em nossas vidas, desde quando nascemos, crescemos e morremos, surgem situações: alegres e também tristes, que fazem parte de nosso legado neste gigantesco, maravilhoso, desafiador, muitas vezes complicado por nossa natureza, e surpreendente planeta.
 
Apesar de realizarmos, assim como muitos profissionais, as mesmas coisas todos os dias. Nenhum dia, nenhum momento ou situação é igual a outra. Esse é um dos fatores mágicos de toda e qualquer profissão que você escolhe; seja por amor à causa, por necessidade na vida, por interesse, e às vezes imposição da família, ou, por vocação divina. No qual, nós seres humanos, dotados de inúmeros conhecimentos ou não, adquiridos através do tempo com muita dificuldade, dedicação e esforço, superamos enormes desafios durante anos. Fazemos questão, em muitos casos: de nos doar, debruçar, abraçar e nos entregar de corpo e alma, à profissão que escolhemos.
 
Algo que nos contagia, deixa envaidecidos, satisfeitos e realizados, ao ouvir palavras como: “Muito obrigado por você ter me curado! Muito obrigado por ter me ajudado! Muito obrigado por ter me escutado! Muito obrigado por ter me consolado! Muito obrigado por ter me incentivado! Muito obrigado pelo seu atendimento e seu trabalho! Muito obrigado por você estar, em muitos momentos difíceis, sempre ao meu lado”...
 
...Depois do sobe e desce para tentar entregar objetos postais de bloco em bloco num condomínio situado no Bairro Parque10, o nobre carteiro foi realizar as entregas de encomendas nas ruas daquele conjunto. Durante o trabalho, se deparou com a seguinte situação inusitada, ao entregar uma encomenda em uma residência. Ao chegar numa determinada rua, procurou o número da casa indicado pelo remetente. Após encontrá-la, pegou a encomenda correspondente àquele logradouro.
 
Chegando à residência, o carteiro exaltou o já famoso e às vezes barulhento grito de guerra: COORRREEEIOSS! COORRREEEIOSS!
 
Esperou alguns minutos... e nada.
 
Gritou novamente: COOORRREEEIIOSS!
 
Dessa vez, de dentro da residência, uma senhora de mais ou menos 55 anos, grita com a voz um pouco distante: “Espere aí senhor carteiro... Já estou indo!”
 
Na ocasião, o carteiro diz a senhora que tudo bem e que ficaria lhe aguardando. Em seguida ela aparece na porta. Olha fixamente para o carteiro e a encomenda que estava em sua mão (uma caixa enviada do Japão) e pergunta: “Por favor senhor carteiro, qual é o nome do remetente?” O carteiro diz o nome da pessoa para a senhora, que, na mesma hora, menciona: “Nossa! Mas já chegou?”
 
Com a voz um tanto mais fraca, ela diz que vai pegar a chave para abrir a porta. E pede que espere mais um pouco.
 
A senhora demora uns três minutos, dizendo que está procurando a chave. Ao retornar, a senhora chega às lágrimas, bastante ofegante, e chorando... O carteiro não tinha a menor ideia do que estava acontecendo. Ficou preocupado e um pouco nervoso, logo perguntou: O que foi, senhora? A senhora não está se sentindo bem? A senhora está passando mal? Quer que eu chame uma ambulância?
 
O carteiro ficou tão preocupado que já estava ficando sem saber o que fazer. Ainda chorando muito e bastante emocionada. a senhora abre a porta de sua casa e pede para que o carteiro deixe a encomenda no sofá da sala.
 
Ainda com lágrimas nos olhos, começa a desabafar: “Senhor carteiro, me desculpe... é que essa encomenda é da minha filha e ela enviou para mim lá do Japão! E toda vez que essa caixa chega, eu não aguento a saudade de minha filha e começo a chorar! Ela mora no Japão há mais de quatro anos com o meu genro. E eu ainda sinto muito a falta dela. Me desculpe, senhor carteiro!”
 
Ainda um pouco nervoso, e também emocionado, o carteiro foi se acalmando, mas um tanto preocupado com a saúde daquela senhora.
 
Diante da situação inusitada, ele não sabia o que dizer para aquela senhora. Na ocasião, disse apenas que realmente não é fácil ficar tão longe, tão distante das pessoas que nós amamos. E simplesmente, a senhora foi melhorando. Ela ofereceu um copo d’água. E ele lhe pediu que bebesse um pouco também.
 
Deu um abraço na senhora e perguntou se ela já estava melhor. Como disse que sim, pediu por gentileza que assinasse o recebimento da encomenda de sua filha na lista de entrega.
 
Nesse instante, a senhora abraça a encomenda de sua filha, bem forte. Foi quando o carteiro aproveitou para dizer que ela teria de ser forte, para que pudesse retribuir a filha, todo o carinho e amor que a mesma tem para com ela.
 
A senhora já estava mais tranquila... Foi quando o carteiro disse para ela ─ em tom de descontração ─ que da próxima vez, não gostaria de vê-la chorar mais ao receber a encomenda de sua filha, se não passaria direto para a casa seguinte.
 
Sorrindo e mais descontraída e contente, ela concordou. Pediu desculpas pela situação. Agradeceu pela entrega da encomenda e elogiou o trabalho de todos os profissionais dos Correios, apesar das dificuldades. Despediu-se dizendo: “Muito obrigada. senhor carteiro! Bom trabalho para o senhor e que Deus o acompanhe sempre!”
 
* O carteiro gente boa 
Edclei Estevam de Vasconcelos

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