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17/02/2018 - 18:40

BRASIL, NAU AVARIADA E SEM RUMO

Alcides Costa

 

O que vem acontecendo no Brasil nas últimas décadas, mas principalmente nas duas últimas, é uma verdadeira catástrofe. Como um imenso Titanic, navega à deriva, fazendo água perigosamente, e sem saber para onde vai.  Como responsáveis maiores por essa tragédia, existem diversos vilões disputando o primeiro lugar. 
 
Ao meu ver, dois assumem a dianteira nessa disputa funesta:
 
1) Péssima gestão no comando maior do país; e 2) Apodrecimento do sistema político nacional. Subjacente a esses fatos-motivo está provavelmente matriz que os alimenta: a profunda crise moral que grassa pelo país, a perda dos valores básicos que sustentam uma sociedade civilizada, uma espécie de vale-tudo para a consecução de objetivos pessoais os mais condenáveis possíveis, empregado por aqueles que comandam o país no plano administrativo- político. 
 
Nessa “elite” não existe, salvo talvez as raras exceções de sempre, aquilo que é conhecido como “espírito público”, não existe a vocação genuína para servir ao povo, aquela que se sente plenamente gratificada com a recompensa de seus esforços materializada em qualidade de vida, em progresso civilizatório da sociedade, e não a recompensa das malas cheias de dinheiro, do percentual generoso dos contratos fraudulentos, e tantos outros lastimáveis exemplos. 
 
Não, não existem mais lideranças políticas confiáveis, e se existirem, estão muito envolvidas (e sofrendo suas consequências) nos meandros escuros trilhados por seus partidos políticos, a maioria máquinas formais que longe de serem fonte de análise e  discussão profunda dos grandes e graves problema s nacionais visando suas soluções, cumprem apenas o papel formal de instrumento viabilizador dos anseios espúrios da corja que conspurca e praticamente inviabiliza a eficácia esperada da chamada “democracia representativa”.
 
Ao longo de todos estes anos não se vislumbrou, no comando maior do país, aquilo que é o mais raso “dever de casa” de um governo, aquilo que é o mais básico da, digamos assim, arte de governar: a antecipação dos problemas maiores da nação, a ação preventiva, o planejamento de curto, médio e longo prazo, visando evitar exatamente a ocorrência de graves crises que possam vir a afetar a vida da população. 
 
O governo do Município, do Estado, mas principalmente da União (inclusive porque é quem fica com a parte do leão da arrecadação) tem que cuidar do dia a dia, mas tem que estar com os olhos no futuro: tem que “ver” o país nos próximos dez, vinte, trinta anos... Tem que pensar e viabilizar o desenvolvimento do país, na mais nobre acepção do termo. Mas isso se tiverem aquele espírito referido acima. 
 
Se, ao contrário, o “espírito” é de roubar o dinheiro do contribuinte, de acumular ilicitamente aquilo que é realmente sua “motivação política” maior: mansões, iates, aviões, carrões, contas na Suíça, Bahamas, Ilhas Cayman, ou no raio que o parta, à La Sergio Cabral, como pensar no país, no povo, na sua saúde, na sua educação, na sua segurança, na sua qualidade de vida, enfim?
 
Um exemplo exato e profundamente trágico do que estou escrevendo é o Rio de Janeiro. Deixaram a criminalidade medrar, se desenvolver, se robustecer, agigantar-se, sem nada fazer. Omissão criminosa de governos e mais governos, querendo tratar câncer dos brabos com aspirina. O resultado está aí. Não sabem o que fazer. E quando falo governo falo principalmente do Governo Federal. Há quase dois anos coloco nas redes sociais que não entendia porque o governo central não intervinha no Rio de Janeiro já que o mesmo se encontrava em “estado de guerra”. Mas como se preocupar com o Rio, se existiam preocupações mais “pessoais”, ainda que sombrias e exaladoras de mau cheiro?
 
Até mesmo agora, com a intervenção decretada, a imprensa divulga, e ela mesma parece tratar assim a questão, essa situação como “última cartada” do governo, como algo que tem a ver com o fracasso da reforma da previdência, etc. Sempre colocando em primeiro plano o aspecto político, leia-se sobrevivência na elite, manutenção de privilégios, possibilidade de continuar roubando...enfim, tudo aquilo que é usual nesse apodrecido e falido sistema. A intervenção é por isso então. Não é pela guerra não declarada que vem envolvendo e matando milhares de inocentes no Rio e no Brasil? Sim, porque o Rio é o paradigma do que será em breve o Brasil todo a continuar o desgoverno.
 
O que será desse Titanic?
 
Alcides Costa 
 

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