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31/12/2020 - 09:30

Apesar de ser par, 2020 foi um ano ímpar

Um brinde

 Você pode escolher o caminho!


Por Warnoldo Maia de Freitas

Apesar de ser um ano par, 2020 foi um ano ímpar e ficará marcado na história da humanidade devido ao surgimento do novo coronavírus, a Covid 19, que ceifou vidas e mudou comportamentos de boa parte das pessoas.

Mas, o que chamou mesmo a atenção e chocou boa parte dos cidadãos foi a conduta de muitos políticos e "empresários" oportunistas que, de Norte a Sul do país, enxergaram na pandemia uma "boa oportunidade" para ganhar dinheiro fácil e não tiveram escrúpulos para desviar recursos da área da saúde destinados a salvar vidas.

Como bem disse o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luiz Fux, a corrupção precisa ser combatida, sim, porque quem rouba as verbas da saúde atenta contra a vida da grande maioria da população, porque rouba hospitais, rouba alimentos e rouba a saúde de todos.

E vivendo diante da ameaça do fim do mundo, devido à Covid - 19, também não poderia ter faltado no Brasil nosso de cada dia, em 2020, o chamado "Inquérito do fim do mundo", instaurado para "combater as fake news", mas, por ser "sem limites", atropelou direitos e princípios em nome da implantação da chamada "Lei da mordaça".

O tal do "Inquérito das fake news" foi considerado pelo ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), "uma afronta ao sistema acusatório do Brasil", porque os operadores do Direito sabem, ou deveriam saber,  que "magistrados não podem instaurar [inquéritos] sem a prévia percepção dos órgãos de execução penal".

Tivemos também a tentativa do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de furar a fila da vacina contra a Covid 19, após o governo federal informar que nessa fase inicial do processo de vacinação não haverá imunizante para todo mundo.

Segundo o noticiário, "considerando-se acima dos mortais" esses dois tribunais enviaram ofício à Fiocruz consultando a possibilidade de separação de doses, numa tentativa condenável de obter prioridade no processo de imunização, porque esses membros do Judiciário "esqueceram" que, em tese, "todos são iguais perante a lei".

Na prática, acham melhor seguir aquele velho dito popular, que ganhou maior destaque a partir da letra da música de Bezerra da Silva, que diz, "Farinha pouca, meu pirão primeiro".

Ano de contradições

Quer dizer,  2020 foi também o ano dos paradoxos, das contradições e da reiterada falta de responsabilidade de boa parte da população, que adotou comportamentos considerados indevidos diante da pandemia e passou a ignorar o risco real de contaminação e possível morte provocada pela Covid - 19.

Isso sem levar em consideração a politização diante da compra de imunizantes - vacinas - para resguardar a vida da população, revelando que muitos políticos brasileiros, realmente, não têm compromisso com as pessoas ou a Nação, mas defendem, única e exclusivamente, seus interesses e o dos seus pares.

Enquanto as autoridades da saúde indicavam a necessidade de se usar máscaras para evitar o contágio da Covid 19, gestores espertalhões deixaram cair as máscaras da moralidade e da decência, até então usadas por eles para enganar e explorar a boa fé da população.

Quer dizer, tivemos várias manifestações que revelaram o despreparo de algumas "autoridades" que, em plena pandemia, optaram por proibir o cidadão de ir à praia, praças e outros lugares ao ar livre, mas, por outro lado, passaram a considerar normal ver as pessoas mais pobres se espremerem em ônibus, trens e metrôs lotados, bem como nos chamados "pancadões".

Na área política o ano de 2020 ficará marcado, no Amazonas, pelo pedido de impeachment do governador Wilson Lima (PSC), e do vice, Carlos Almeida (PTR), que acabou arquivado com o aval de 12 deputados da base governista, que votaram contra o pedido, e 6 que apoiaram o impedimento. 

Para quem não lembra do episódio, que continua sendo investigado pela Polícia Federal, o governador foi acusado por crime de responsabilidade, após a imprensa divulgar a prática de superfaturamento registrada na compra, em uma loja de vinhos, de respiradores inadequados para atender as pessoas atingidas pela Covid - 19.

Outro fato importante foi a vitória do prefeito eleito, David Almeida (Avante), do Morro da Liberdade, sobre o Golias, Amazonino Mendes (Podemos), de Eirunepé, reconhecidamente um dos grandes caciques políticos dos últimos tempos.

Mas, também foram registradas cenas "pitorescas" e "inéditas" na história política do Amazonas no exercício de 2020 como, por exemplo, o do vereador eleito Dione Carvalho, do Patriota, que, com uma cópia do escudo do Capitão América na mão, após ser chamado para receber o diploma, saiu rastejando pelo palco do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AM), para surpresa geral.

Vale destacar que o super-herói dos quadrinhos, da Marvel, foi criado em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial, e acabou conquistando os corações por representar "tudo o que faz com que os Estados Unidos sejam o melhor lugar do mundo para se viver".

Será que, a exemplo do personagem do Universo da Marvel, esse novo membro da Câmara Municipal de Manaus (CMM) vai conseguir "ajudar seu povo na luta do bem contra o mal" e atender às expectativas dos seus 3.919 eleitores? 

Além de inúmeras condutas deploráveis, 2020 foi, para muitos, um ano sem abraços, sem comemorações entre amigos, sem as festas costumeiras de Natal, com toda a família reunida, e promete não ter, também, as tradicionais festas de fim de ano, com milhares de pessoas reunidas nas praias para acompanhar o espetáculo da queima de fogos.

O ano de 2020, felizmente, está acabando e mostrou, mais uma vez, ao longo dos seus 12 meses, que todos estamos expostos ao mal, mas muitos não se dão conta de que os males sempre trazem destruição.

Tomara que a esperança do Natal renasça em todos os corações, para que o amor passe a ser a semente mais semeada ao longo de 2021, e que as luzes do Ano Novo iluminem todos os caminhos e acabem com as trevas que insistiram em conquistar espaço ao longo do ano que está findando.  

Roberto Carlos lembra, todo fim de ano, que "É preciso saber viver" e destaca:
"Se o bem e o mal existem, 
Você pode escolher".

 
 
 

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