Manaus, 24 de Janeiro de 2022

"Beiradão, O Ritmo do Interior" estreia no YouTube

Documentário de Fidel Graça conta trajetória de ritmo que saiu das festas nos seringais e ganhou a Amazônia

Cultura | 26/11/2021 - 17:00
Foto: Divulgação
Das festas nos seringais às transmissões de rádio, "Beiradão - O Ritmo do Interior" mostra a trajetória do ritmo genuinamente amazônico. O documentário idealizada pelo cantor e compostor borbense, Fidel Graça ganha evento de estreia no dia 26 de novembro, no Parque Infantil Alessandra Pollyne do Rosário Cavalcante Sá (Castelinho), no município de Borba, distante 208 Km da capital amazonense. 

Projeto contemplado pela Lei Aldir Blanc, Prêmio Feliciano Lana, o registro audiovisual mostra as origens e influências da chamada música de beiradão através de depoimentos de várias personalidades ligadas ao universo da música amazonense. A obra destaca a importância do ritmos para a cultura do município de Borba.

"Beiradão - O Ritmo do Interior" traz entrevistas com os músicos Aurimar Ribeiro, Diquinho do Sax, o maestro e pesquisador Cláudio Abrantes, o músico e político Edvar Souza, o músico, compositor e pesquisador Eliberto Barroncas. Neil Armstrong (músico e professor), Otávio de Borba (músico e produtor cultural), Serginho Rendres (músico e escritor), Ricarth Donna (cantor e compositor), mais os empresários Toinho Cidade e Bruno Souza e o político Antônio Graça compõem o elenco da obra embalada pelo som das guitarradas e saxofones.

A origem

O som, meio caminho entre o instrumental e o cantado, desenvolvido nos chamados "beiradões", como são conhecidas as festas das comunidades de beira de rio amazônicas, ganha um novo olhar de Fidel Graça, que se diz satisfeito com o resultado do documentário.
 
"É um trabalho que valoriza os artistas, a cultura e a história de Borba. Foi um processo árduo, grande dificuldade de gravar na pandemia, mas o esforço valeu a pena. O documentário tem acima de tudo um cunho educativo. O Maestro Claudio Abrantes, um dos entrevistados, conta como um instrumento tão sofisticado como o sax foi parar nas comunidades ribeirinhas do Amazonas", disse Graça.

Apesar de se tornarem mais conhecidas entre os manauaras com as transmissões das rádios, essas tradições festivas nos beiradões datam de um período em que essa mídia nem existia. Eliberto Barroncas chama atenção para isso em entrevista publicada na dissertação de mestrado do pesquisador Rafael Norberto:
 
“A música do Beiradão aconteceu desde a época da borracha, quando os nordestinos vieram para cá. Não existia nessa época rádio, então eles tocavam, faziam as próprias festas, dançavam homem com homem no seringal, pela ausência de uma vida social com mulheres. Dançavam com mulher, mas também dançavam homem com homem”, aponta.

Genuinamente amazônico

Além de traçar os caminhos relevantes ao envolvimento dos músicos locais, dentro das realidades sofridas nestas regiões distantes dos centros urbanos, a obra também tem valor sentimental ao idealizador.
 
"A música de beiradão tem um significado muito especial pra quem é do interior, é algo indescritível. Parece estar no DNA do caboclo, em Borba você sente a energia e a magia quando se toca o sax. Eu quis mostrar a cara de Borba e homenagear os artistas que são minha inspiração", afirma Graça.
 
"Beiradão - O Ritmo do Interior", foi filmado em Borba e parte em Manaus e tem codireção de Luiz Almeida, edição e sonoplastia de Thiago Alencar e música inédita pelo próprio idealizador. "A música tema é um beiradão inédito, de minha autoria, produzida por Anderson Cantalice (também assistente de direção) , gravada em Borba", conta o diretor do documentário.

A obra tem produção da ML Produções e além do citado Cantalice, foram assistentes de produção Wildley Colares e Marcelo Gomes. A captação de imagens é mais uma das funções de Graça, que também dirigiu a fotografia e escreveu o roteiro (com Luiz de Almeida), tendo imagens de apoio de Maurício Motta.
 
 
 
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