Com o fortalecimento da direita, tanto no Senado quanto na Câmara Federal, muitos poderosos já estão mudando de conduta.
Por Warnoldo Maia de Freitas
Após o resultado do primeiro turno das eleições brasileiras revelar, no domingo 04/10, um esmagador crescimento dos representantes da direita, tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados, já é possível comemorar o fim da "democracia relativa", a partir da mudança real dos humores daqueles que estavam ofuscados pelo brilho do poder e alimentavam a ilusão de que o poder dura para sempre.
Na prática, a esperança renasce, porque o brasileiro já estava cansado de tanta injustiça, de tantos desmandos, e agora, com base no resultado das urnas, demonstra, mais uma vez, querer acreditar que todos podem passar a ser iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, e terão garantidos a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.
A esperança manifestada, nas urnas, pela maioria dos brasileiros, que clama por mudanças, contribuiu para o transtorno do humor de alguns "poderosos", agravado, também, porque eles sabem que "em termos históricos, a gente nunca viu uma virada em um segundo turno das eleições presidenciais no Brasil".
Quer dizer, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva já disputou quatro segundos turnos, venceu três deles, em 2002, 2006 e 2006, mas nunca conseguiu virar uma eleição após terminar o primeiro turno da disputa na segunda posição.
As urnas apontaram 47% da preferência do eleitorado brasileiro a Flávio Bolsonaro e 45% a Lula.
A diferença pode ser considerada pequena, mas vale lembrar que "desde a redemocratização, quem ficou em 2º lugar no primeiro turno nunca conseguiu mudar o cenário e vencer a disputa pela Presidência no segundo turno".
Lula pode virar no segundo turno?
Os mais apaixonados acreditam que tudo é possível, mas os mais realistas destacam que o desafio "é enorme", vai além do normal, e dificilmente Luiz Inácio Lula da Silva conseguirá superar o desgaste diante da opinião popular, severamente agravado pelas condutas inadequadas de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal, considerados "indignos" pela maioria esmagadora da população brasileira.
Nada é para sempre
Alguém já disse que "nada é para sempre" e tal máxima ressoa, mais do que nunca, como um lembrete inevitável de que, "mesmo nas alturas do sucesso, a fragilidade da permanência persiste".
O resultado das urnas reafirma, mais uma vez, que a esperança deve prevalecer sempre.
E como bem destaca o hino do Amazonas:
Hoje o tempo se faz claridade
Só triunfa a esperança que luta
Não há mais o mistério e das matas
Um rumor de alvorada se escuta
A palavra em ação se transforma
E a bandeira que nasce do povo
Liberdade há de ter no seu pano
Os grilhões destruindo de novo