Souza também defendeu a construção da Ponte do Rio Solimões. A ideia ficou no papel, mas, quem sabe um dia ...
Souza também defendeu a construção da Ponte do Rio Solimões. A ideia ficou no papel, mas, quem sabe um dia ...
Elizabeth Menezes
Neste domingo 24, a Ponte Rio Negro, inaugurada há dez anos, entra na programação de comemoração dos 352 anos da cidade de Manaus. Naquele 24 de outubro de 2011, com a presença da então presidente Dilma Rousseff e o antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, recepcionados pelo governador da época e hoje senador Omar Aziz, a ponte sobre o rio Negro finalmente “nasceu”.
Braga, Omar, Dilma e Lula comandaram a festa de inauguração da Ponte Rio Negro
A atual Ponte Jornalista Phelippe Daou é um dos cartões postais da cidade
O evento, óbvio, coincidiu com o aniversário de 342 anos da capital do Amazonas. Mas até o gran finale, com os 3,6 quilômetros de extensão ligando a capital ao município de Iranduba, o empreendimento era mais “a ponte de 1 bilhão de reais” e “a ponte que leva nada a lugar nenhum”, nas palavras de certos críticos.
É preciso lembrar que o hoje senador Eduardo Braga é o responsável pela construção da obra, que a partir de 2017 passou a ter o nome oficial de Ponte Jornalista Phelippe Daou. Iniciativa corajosa e louvável do então governador, que renunciou ao cargo para disputar o Senado em 2010. Um alívio para quem precisava fazer a travessia em balsas nada confortáveis, depois de esperar horas e mais horas no porto de São Raimundo para chegar a Iranduba. Ou no porto de Iranduba, para voltar a Manaus. Assim era e assim poderia ser até hoje. Não que faltassem sonhadores. Meu pai foi um desses sonhadores, mas é preciso fazer justiça: o então deputado Francisco Souza sonhou e foi à luta.
Na Assembleia Legislativa, por exemplo, vários parlamentares não o levavam muito a sério diante de sua defesa pela construção da ponte. O deputado Belarmino Lins, conhecido pelo bom humor, ao anunciar que o colega iria à tribuna, não perdia a chance de fazer rir:
“Com a palavra, o nobre deputado Francisco Ponte Souza”.
Na verdade, publicamente e com todas as letras, o comunista Eron Bezerra deve ter sido o único a não considerar absurda a ideia fixa do colega.
Segundo ele, o Estado tinha, sim, capacidade de endividamento e assim conseguir os recursos necessários para construir a ponte.
O próprio Souza dizia: “Meus colegas me consideram um sonhador”. Mas ele não desanimava. Era audiência pública na Assembleia, abaixo-assinado, reunião com associações e moradores de Iranduba e Manacapuru. Tudo isso podia ser visto às claras, mas somente ele e as autoridades sabem o que acontecia nos bastidores.
De certo mesmo e percebido por todos, foi que um belo dia a construção da ponte foi anunciada. No meio do caminho, mais de uma pedra. Houve troca de governador, paralisação dos trabalhos, críticas, denúncias de irregularidades, até chegar o 24 de outubro de 2011, o esperado dia da inauguração. Após a comitiva presidencial voltar para Brasília, verdadeira multidão caminhou sobre a ponte. Imagens mostradas pela televisão. De lá para cá, motoristas levam poucos minutos para atravessar o majestoso rio Negro, chegar a Iranduba e percorrer a AM-070, a estrada que leva a Manacapuru, outro município da Região Metropolitana de Manaus. Fazendo um pequeno desvio na estrada chega-se a Novo Airão, a terra dos famosos botos cor de rosa.
Em apenas dez anos, uma grande transformação. Para melhor. Não se faz necessário explicar. Pelo menos não precisa explicar para quem passou pela experiência de ficar até seis horas esperando para colocar o carro dentro de uma balsa. Faço este pequeno relato porque acompanhei toda a “peregrinação” do deputado Francisco Souza para “vender” a ideia da ponte (que era o desejo de muitos, diga-se). E merece ser lembrado por sua contribuição nessa empreitada. Também é preciso dizer: após o primeiro desejo realizado e ainda deputado, Souza começou outra “pregação”.
Dessa vez, para construir a Ponte do Rio Solimões. “Será menor 200 metros do que a do Rio Negro e, se concretizada, ligará o Norte do Brasil com o Sul, a Venezuela com o Uruguai e o Pacífico ao Atlântico”, declarou ainda em 2011. Não deu. Mas deixou a ideia. Quem sabe um dia...