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Josué critica descaso do governo Wilson Lima e afirma que “grupos econômicos têm o monopólio e trabalham contra os interesses da população do Amazonas”.
O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), Josué Neto (PRTB/AM), revelou em entrevista divulgada no domingo 11/10, pelo site Justiça em Foco, que o Amazonas corre o risco de perder R$ 10 trilhões, em 10 anos, devido à falta de interesse do Governo Wilson Lima (PSC/AM) de enviar um novo projeto ao Legislativo para acabar com o monopólio e flexibilizar a exploração de gás natural no Estado.
Amparado por dados obtidos por uma pesquisa do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura (CERI) da Fundação Getúlio Vargas, o deputado estadual lembrou que o Amazonas tem potencial para gerar mais de 48 mil empregos diretos e indiretos com a exploração das suas reserva de gás natural, mas o governo, segundo ele, “não parece muito interessado” em viabilizar o aporte de novos investimentos no Amazonas, para gerar riqueza e distribuir renda.
Marco regulatório
Na entrevista Josué destaca o seu empenho para que a ALE-AM aprove o Novo Marco Regulatório do Gás Natural no Amazonas, para permitir que outras empresas participem do processo de exploração do gás das reservas existentes no estado.
Ele ressalta, também, que considera “um absurdo” que a geração de energia no Amazonas continue sendo feita, em grande parte, à base da queima de óleo diesel e não com o aproveitamento do gás natural, que é muito mais seguro, limpo, barato e melhor para o meio ambiente.
Josué lembra, ainda, que o gás natural é o principal insumo da produção de fertilizantes nitrogenados (ureia, sulfato de amônia e nitrato de amônia) e representa entre 70% e 75% do custo produtivo da ureia.
“O Brasil importa 80% dos insumos que são aplicados nas plantações e pode chegar a 90% nos próximos anos”, lembra.
Ele também destaca o expressivo custo da importação de gás natural de outros países, que onera a balança comercial brasileira.
“No Brasil paga-se 14 dólares por um milhão de Unidades Térmicas Britânicas (MMBTTU), quase três vezes mais do que na Argentina, que paga só 5 dólares, e mais de quatro vezes maior que nos EUA, que pagam 3,89 dólares”, explica.
Segundo Josué, as projeções de todos os estudos que avaliam a exploração competitiva e sustentável do gás natural no Amazonas apontam para um barateamento de até 40% para o consumidor final, o que desencadearia uma série de incentivos à produção industrial do estado e, consequentemente, uma maior geração de emprego e renda.
De acordo com o presidente da ALE-AM, o setor da indústria é responsável por 50% do consumo de gás no Brasil, especialmente a siderurgia, mineração, vidro, celulose, química, cerâmica, cimento e alumínio.
Em reunião no dia 04 de outubro com o superintendente da Suframa, Algacir Polsion, o deputado lembrou que o Amazonas “tem o gás na porta de casa, mas não usa porque grupos econômicos têm o monopólio da exploração do produto e trabalham contra os interesses da população do Amazonas e o que é bom para o planeta”.