Manaus, 25 de Agosto de 2026

Amazonas tinha RS 531 milh?es de saldo, em dezembro, mas n?o agiu para evitar crise do oxig?nio

Gest?o Wilson Lima ignorou sinal amarelo disparado pela White Martins em julho de 2020 e o descaso provocou a morte de muitos amozonenses por falta de oxig?nio em janeiro de 2021

Política | 15/06/2021 - 19:50
Foto: Ag?ncia Senado

Marcellus Campelo


Gestão Wilson Lima ignorou sinal amarelo disparado pela White Martins em julho de 2020 e o descaso provocou a morte de muitos amozonenses por falta de oxigênio em janeiro de 2021

Por Warnoldo Maia de Freitas

Ao prestar depoimento na manhã desta terça-feira, 15/06, à CPI do Senado, o ex-secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campelo, colocou por terra as versões que davam conta de que teria faltado dinheiro e apoio do governo federal para o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC/AM), enfrentar no exercício de 2020, a crise provocada pela Covid-19.

Aparentando um nervosismo contido, Marcellus falou, falou, mas não convenceu e também não soube explicar porque o Governo do Estado do Amazonas, apesar de ter mais de R$ 531 milhões em caixa, na rubrica da saúde, em dezembro de 2020, e saber desde julho daquele exercício que poderia faltar oxigênio nos hosptiais da rede estadual de saúde, não investiu um centavo, sequer, na compra de usinas produtoras de oxigênio medicinal ou na busca de novos fornecedores.

A busca já se fazia necessária porque, de acordo com as informações divulgadas pelo senador Eduardo Braga, desde julho a White Martins cobrava providências do Governo do Estado, porque tinha um contrato para o fornecimento de 250 mil metros cúbicos de mensais,  mas já estava fornecendo mais de 430 mil metro cúbicos do produto.

Mas, apesar dos números e dos esclarecimentos da White Martins, o governo ignorou o sinal amarelo, o sinal de alerta, e ao fazer "cara de paisagem" diante de um problema que se agravava a partir de julho de 2020, a gestão Wilson Lima não adotou as medidas necessárias para evitar o caos registrado em janeiro de 2021, na conhecida crise do oxigênio, que provocou a morte de muitas pessoas devido a falta do produto.

Explicações

Marcellus disse que ligou dia 7 de janeiro para o ex-ministro Eduardo Pazuello, para pedir apoio logístico para solucionar o problema do desabastecimento. Já no dia 9 enviou ofícios para o Ministério da Saúde, pedindo apoio logístico para solucionar o problema, 

Quer dizer, revelou de forma direta que só seis meses depois do sinal de alerta ser disparado pela White Martins, em janeiro o Governo do Amazonas resolveu agir para solucionar a crise do oxigênio, que provocou a morte de muitos amazonenses com falta de ar.

Seis meses para agir
O senador Eduardo Braga (MDB/AM) lembrou, com base em documentos da White Martins, que o governo do Amazonas teve seis meses para tomar providências e evitar o colapso no fornecimento do oxigênio, mas nada fez.

"Em julho de 2020 a empresa White Martins já manifestava preocupação com a explosão de consumo do oxigênio em Manaus, nada fez", reafirmou o senador, mostrando-se indignado com a falta de interesse do governo para evitar a morte de muitas pessoas na capital do Amazonas.

Versão  
Ao falar sobre a crise do oxigênio registrada em Manaus no início de janeiro, na fase mais crítica da pandemia provocada pelo novo coronavírus, Marcellus disse que no dia 7 ligou para Pazuello, e no dia 10, em novo contato, ficou acertada uma reunião para o dia 11 com a White Martins.

Marcellus ressaltou, ainda, que havia uma programação da White Martins de entregar no dia 9 de janeiro, uma carga de oxigênio, mas falhou.

O ex-secretário afirmou, ainda, que no dia 4 de janeiro de 2021 o quadro era normal, no que diz respeito ao fornecimento de oxigênio, mas não soube explicar se, como ele dizia, o quadro era normal, até o dia 9 de janeiro, como foi que no dia 14 o consumo em Manaus girava em torno de 582 mil metros cúbicos e já era cerca de nove vezes maior do que o consumo considerado normal.
 
 

 

 

 

 
 
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