O filme amazonense "Segredos do Putumayo", de Aurélio Michiles, foi o grande vencedor do Festival Pan-Amazônico de Cinema - AmazôniaFiDOC, que ocorreu em Belém. Ao lado de "Noites Alienígenas", de Sérgio de Carvalho (Acre), o título recebeu o prêmio de Melhor Longa-metragem, na Mostra Pan-Amazônia - que exibe filmes de realizadores de toda a região, nos nove países que abrigam o bioma da maior floresta tropical do mundo. A solenidade de premiação ocorreu no último domingo (20), em cerimônia no Cinema Líbero Luxardo.
“Segredos do Putumayo” denuncia a investigação de crimes contra comunidades indígenas cometidos pela Companhia Amazônica Peruana, que utilizava um sistema industrial-extrativo baseado em assassinatos e trabalho escravo no meio da selva amazônica.
A dupla premiação, escolhida pelo corpo de júri composto por Gustavo Soranz, Victor Lopes e Vânia Lima, foi analisada como unânime. "O júri decide por unanimidade conferir a premiação de melhor filme a dois títulos da competição, que dialogam com cenários e histórias que impactam a relação da Amazônia com o Brasil e com o mundo debatendo caminhos de ontem, de hoje e do amanhã".
Outro filme amazonense premiado foi "Uýra – A retomada da Floresta", de Juliana Curi, que conquistou o júri na categoria Melhor Longa-metragem da Mostra Amazônia Legal - dedicada a exibir obras de cineastas brasileiros oriundos da região.
Uýra é uma entidade híbrida amazônica vivida pela artista trans indígena e bióloga Emerson Pontes, e sua luta pela preservação do meio ambiente e pelos direitos das comunidades indígenas e ribeirinhas.
O filme "Pistolino e O Filme Que Não Acaba Nunca", de Anderson Mendes (Amazonas), levou a menção honrosa na mesma categoria. O corpo de jurados foi formado por Fernando Segtowick, Jorane Castro e Mariana Queen.
Sobre Uýra, o júri justificou a premiação: "pela potência da personagem, de seu discurso que nos apresenta temas como ancestralidade e valorização da arte produzida em lugar e contexto não tradicionais, que une performances; por apresentar uma protagonista que não está no centro de decisões do poder hegemônico, uma pessoa integrante da comunidade LGBTQIA+; pela abordagem de indagações sobre a Floresta, o meio-ambiente amazônico, contemplando questões técnicas como a sonoridade da floresta, a voz dos povos originários e o universo estético de suas performances".
O Festival
Foram dez dias de exibição de filmes de realizadores amazônidas, com mostras de curtas e longas-metragens. Ao todo 35 filmes participaram da competição do festival, que teve como tema "O cinema de todas as Amazônias na luta pela floresta em pé". Participaram ainda da competição 14 videoclipes de artistas da região, na mostra inédita do gênero no evento.
A diretora do Festival, Zienhe Castro, enfatizou que a missão das mostras é justamente trazer um apanhado da cinematografia dos nove países da Pan-Amazônia, observando contextos contemporâneos da produção dos filmes. "Este ano tivemos filmes de ficção e documentários que mostram como a região é diversa. Agradecemos a todos os realizadores, somos cada vez mais potentes e isso nos motiva e nos leva adiante", comentou.
O Festival é uma realização é do Ministério do Turismo, com patrocínio do Instituto Cultural Vale via Lei Rouanet - Secretaria Especial de Cultura, em parceria com a Fundação Cultural do Pará - Cinema Líbero Luxardo; deputado federal Airton Faleiro; Secretaria de Estado de Cultura do Pará (SECULT-PA).
Apoio cultural: Instituto Goethe, Casa de Estudos Germânicos (CEG), Se Rasgum Produções, Cas'Amazônia Brasil, Cine Solar, Circuito Jambu Multicultural, distribuidora Estrela do Norte, Belém Soft Hotel, Curso de Cinema da Universidade Federal do Pará (UFPA). Apoio institucional: Projeto Paradiso e Amazônia de Pé. Produção: ZFilmes Produções e Instituto Culta da Amazônia.
Videoclipes
O festival também reconheceu os videoclipes produzidos no território amazônico. A Mostra de Vídeoclipe da Amazônia Legal teve como grande vencedor a produção maranhense “Chato”, do artista Marco Gabriel.
O clipe “Vertical”, da paraense Inesita recebeu menção honrosa e "Anônimos", da banda paraense Acorde de Novo, foi eleito pelo júri popular, em votação que ocorreu durante o Festival Se Rasgum e no canal do YouTube do Festival.
Consciência Negra
O encerramento do Festival Pan-Amazônico de Cinema- AmazôniaFIDOC também foi marcado pela exibição de filme em alusão ao Dia da Consciência Negra. O curta-metragem "Não quero mais sentir medo", do diretor André dos Santos, traz a ancestralidade como fio condutor para um garoto de 15 anos que recebe a difícil missão de reescrever a história do povo preto.
A produção é protagonizada por Fernando Ferreira, jovem quilombola do Quilombo Ramal do Piratuba, em Abaetetuba, em sua primeira experiência de atuação.
Da Amazônia para o Rio de Janeiro
Ultrapassando as fronteiras do território amazônico, agora o AmazôniaFIDOC segue para a cidade do Rio de Janeiro. De 12 a 18 de janeiro a capital carioca receberá 50 filmes de todas as Amazônias, com a presença de cineastas da região, mesas de debate e bate-papo com os realizadores.
É a primeira vez que o único festival de cinema com recorte pan-amazônico no mundo terá programação no sudeste do país. A iniciativa é uma parceria com a Estação NET Botafogo.
Premiados - AmazôniaFiDOC 2022
MOSTRA AMAZÔNIA LEGAL
Melhor Curta-metragem
Centelha, de Renato Vallone (Acre)
Menções Honrosas Curtas-metragens
O filho do Homem, de Fillipe Rodrigues (Pará)
Utopia, de Rayane Penha (Amapá)
Melhor Longa-metragem
Uýra – A retomada da Floresta, de Juliana Curi (Amazonas)
Menção Honrosa Longa-metragem
Pistolino e O Filme Que Não Acaba Nunca, de Anderson Mendes (Amazonas)
MOSTRA PAN-AMAZÔNIA
Melhor Curta-metragem
Shirampari, A herança do rio, de Lucia Florez (Peru)
Menções Honrosas Curta-metragem
Benzedeira, de San Marcelo e Pedro Olaia (Pará)
Itinerário de cicatrizes, de Glória Albues (Mato Grosso)
Melhor Longa-metragem: dupla premiação
Segredos do Putumayo, Aurélio Michiles (Amazonas)
Noites Alienígenas, de Sérgio de Carvalho
(Acre)
Menção Honrosa Longa-metragem
Samichay, em busca da felicidade, de de Mauricio Franco (Peru)
Júri Popular
Melhor Longa-metragem - Os Devotos de São Sebastião, de André dos Santos e Artur Arias Dutra (Pará)
Melhor Curta-metragem: O filho do Homem, de Fillipe Rodrigues (Pará)
MOSTRA DE VIDEOCLIPE AMAZÔNIA LEGAL
Melhor videoclipe
“Chato”, Marco Gabriel (Maranhão)
Menção honrosa
“Vertical”, de Inesita (Pará)
Júri Popular
Anônimos, de Acorde De Novo (Pará)