Prefeito de Manaus afirma que Bolsonaro está sendo enganado, classifica Paulo Guedes "de pior ministro da economia de todos os tempos" e avisa que vai fazer campanha contra quem quer prejudicar a ZFM.
Por Warnoldo Maia de Freitas
O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), afirmou na manhã desta segunda-feira, 02/05, durante visita ao canteiro de obras do programa "Asfalta Manaus", que o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), precisa respeitar o povo que o elegeu, "a população do Amazonas, onde ele obteve mais de 67 dos votos válidos na última eleição para a Presidência da República.
Além de reafirmar que "acabou o diálogo" com o governo federal, no que diz respeito aos decretos que comprometem a competitividade do modelo Zona Franca de Manaus, David Almeida fez questão de ressaltar que "foi eleito" pela população de Manaus e que "vai lutar na defesa dos interesses da sua cidade".
"Fiquei triste ontem, ao ver pessoas fazendo manifestações, no dia do trabalhador, apoiando o deputado cassado, Daniel Silveira, defendendo intervenção no SFT e não defendendo o povo da sua própria cidade", revelou, destacando que os aliados do presidente "querem se eleger para acabar com a ZFM".
David Almeida disse, ainda, que vai fazer uma escalada, em todos os bairros da cidade, para mostrar ao povo quem quer prejudicar o modelo ZFM, ainda hoje o principal esteio de sustentação da economia do Amazonas, estado que lidera a arrecadação federal na região Norte.
"Eu vou falar em todos os bairros, em todas as ruas que eu for, eu vou falar contra essa gente que quer levar meu povo, a minha cidade à fome. Não tem conversa, não tem papo, não tem diálogo. É justiça. É judiciário, porque se quisessem mudar já tinham mudado", disse o prefeito.
A manifestação, feita ao lado do governador do Amazonas, Wilson Lima (UB), ocorreu porque, depois de editar um decreto reduzindo em 25% a alíquota do IPI para produtos industrializados em todo o país - sem excluir os made in ZFM, que têm amparo constitucional -, Bolsonaro recebeu o chefe do Legislativo estadual, em Brasília, prometeu rever/ajustar o decreto, mas, no dia seguinte, além de não cumprir o prometido, editou um outro zerando a alíquota dos concentrados para refrigerantes produzidos no Amazonas.
"O pior ministro da economia de todos os tempos chama-se Paulo Guedes. Abram os olhos. Abram os olhos. Abram os olhos. Nós temos a maior inflação de todos os tempos. Nós temos o pior índice de desemprego. Um ovo está custando cinquenta centavos. Um pão está custando cinquenta centavos. A conserva é R$ 15,00. A gasolina está quase 8,00. O gás de cozinha está mais de R$ 110,00. A energia tá cara. Aí, sabe qual o culpado para esse imbecil do Paulo Guedes?. É a Zona Franca, que significa menos de 0,9% do Produto Interno Bruto brasileiro. Um imbecil desse, que nunca recebeu um voto, vem querer prejudicar o povo da minha cidade. A minha posição com relação ao Bolsonaro é essa: Eu votei é nele (Bolsonaro). Mas, eu cobro ele. Ele (Bolsonaro) tem que respeitar o povo que o elegeu. Essa é a minha posição", afirmou.
David fez questão de ressaltar, também, que foi eleitor do presidente Jair Bolsonaro, destacou ter falado com vários pastores evangélicos e disse acreditar que Bolsonaro está sendo enganado.
"O presidente Bolsonaro está sendo mal informado. O presidente Bolsonaro está sendo enganado. Espero que seja dessa forma. Mas, os líderes evangélicos com quem eu tenho conversado precisam atuar com o presidente Bolsonaro conforme o profeta Natan agiu com o rei David: Um verdadeiro amigo fala o que você precisa ouvir e não o que você quer ouvir. Essa é a verdade. Eu queria poder estar aqui falando: Olha, o presidente Bolsonaro, que teve 67 por cento dos votos em Manaus, liberou um bilhão de reais para asfaltar as ruas do Alvorada. Mas, isso não aconteceu. Aqui não tem um real do governo federal. Aqui só tem recursos da Prefeitura de Manaus e do Governo do Amazonas", afirmou. "Eu queria poder estar aqui dizendo que o presidente Bolsonaro defendeu os empregos da ZFM, mas isso não está acontecendo", destacou. "A gente não tem que ficar aqui aplaudindo ele acabar com os nossos empregos. A gente tem que é que cobrá-lo", completou.