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Lançamento da chapa Eduardo Braga (PMDB) e Marcelo Ramos (PR) surpreende, mas desponta com boas possibilidades de vitória, porque conta com o apoio de vários prefeitos, que estão insatisfeitos com o abandono ao qual foram submetidos
Por Warnoldo Maia de Freitas
Depois da gestão desastrosa do ex-governador José Melo (PROS), cassado por compra de votos no pleito de 2014, o PMDB, de Eduardo Braga, e o PR, de Alfredo Nascimento e Marcelo Ramos, resolveram unir forças com o objetivo de disputar as eleições suplementares de agosto deste ano e “tirar o Amazonas da UTI”.
A cruzada promete ser árdua, porque os recursos são escassos, os problemas variados e a população clama, urgentemente, por ações capazes de gerar mais empregos e distribuição de renda, mais saúde, mais educação e mais segurança para todos.
As campanhas de desqualificação dos adversários já estão começando, com os argumentos apresentados revelando que os bons modos estão sendo deixados de lado. Mas, é bom lembrar que se for para apontar o pecado de cada um dos ilustres políticos não vão conseguir salvar nem um deles, porque todos já se amaram e se odiaram.
Surpresa
Adversários na eleição de 2014, porque Alfredo Nascimento e Marcelo Ramos faziam parte do grupo do senador Omar Aziz, presidente da executiva estadual do PSD, que prometia colocar o Amazonas em novos caminhos, sob o comando do professor, PMDB e PR tornaram-se aliados e despontam com chances de vencer.
A exemplo do pleito anterior, quando ninguém acreditava na possibilidade de uma composição entre tucanos e peemedebistas, que gerou na última hora a chapa Arthur Neto e Marcos Rota, a receita volta a se repetir, reunindo, agora, dois adversários de ontem: Eduardo Braga e Marcelo Ramos.
Pragmatismo
Mudaram os nomes, mas a estratégia adotada é a mesma e evidencia que o pragmatismo político é capaz, mesmo, de superar qualquer obstáculo para atingir os objetivos almejados.
Os exemplos registrados todos os dias no chamado mundo civilizado estão aí e só são desconhecidos pelos indígenas que vivem isolados nos confins da Amazônia.
O senador Omar Aziz, por exemplo, limou a candidatura de David Almeida, companheiro de partido e candidato natural à reeleição, e resolveu apoiar a de Amazonino Mendes (PDT), por considerar que a vitória do governador interino ameaçaria seus planos no curtíssimo prazo.
O pragmatismo exacerbado gerou o racha na base de sustentação do grupo na Assembleia Legislativa do Estado (ALEAM), bem como no seio do partido, e levou o próprio David a declarar publicamente que não apoiaria Amazonino.
Conduta semelhante foi adotada pelo habilidoso deputado federal Átila Lins (PSD), que revelou por meio de uma entrevista para um jornal da cidade haver liberado as suas bases no interior – formada por 25 prefeitos – a trabalhar pelo candidato do PMDB.
Resta esperar para ver o que realmente serão capazes de fazer os políticos amazonenses para retirar o Amazonas da UTI, interiorizar o desenvolvimento, gerar mais emprego e distribuição de renda para todos, porque só promessas e tapinhas nas costas não enchem a barriga de ninguém.