Manaus, 25 de Agosto de 2026

Deodato muda o tom, garante que David n?o deixou rombo na sa?de e enterra CPI dos contratos

Secret?rio praticamente enterra tentativa de instala??o da CPI para investigar os contratos da sa?de e atribui den?ncia de rombo a interpreta?es equivocadas

Política | 17/10/2017 - 22:30
Foto: Assessoria de Imprensa - ALEAM

Francisco Deodato presta esclarecimentos sobre os n?meros da sa?de


Por Warnoldo Maia de Freitas
 
O secretário estadual de saúde, Francisco Deodato, mudou o tom do seu discurso na manhã da terça-feira, 17, na Assembleia Legislativa do Estado (ALEAM), e afirmou, categoricamente, que o suposto rombo de R$ 1,2 bilhão na área da saúde, apontado pelo próprio governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PDT), não existe e atribuiu o fato a “interpretações equivocadas” dos números apresentados pela equipe de transição.
 
Com a sua conduta Deodato praticamente colocou uma pá de cal sobre mais uma tentativa de instalação de CPI para investigar os contratos da área da saúde, para a alegria dos ex-governadores Omar Aziz (PSD) e José Melo (PROS), cassado por compra de votos na eleição de 2014, porque depois dos seus esclarecimentos apenas quatro parlamentares reafirmaram a intenção de apoiar uma CPI (Luiz Castro (REDE), José Ricardo e Sinésio Campos (PT) e Sabá Reis (PR) ..
 
Quer dizer, enterrou o objeto de uma pretensa ação investigatória, porque, segundo ele, não há rombo na área da saúde, deixado pelo governo interino de David Almeida, mas sim déficits de exercícios anteriores, agravados, principalmente, pela crise econômica, que gerou a queda de arrecadação e atingiu, frontalmente, nos últimos anos, o orçamento do Amazonas e provocou a redução da verba destinada à saúde.
 
Amor no ar
 
Apresentando um discurso conciliador, destacando a necessidade do diálogo constante entre o Executivo e o Legislativo, de união e da soma de esforços na busca das melhores soluções para o Amazonas, Deodato convalidou as informações da comissão de transição, reconheceu que a fonte dos números analisados – Controladoria Geral do Estado (CGE) - foi a mesma e que eles não apontaram a responsabilidade para ninguém. 
 
“Vamos focar as nossas ações na busca de resultados. A saúde precisa da soma de esforços, de ações fraternas e de união”, argumentou.
 
Deodato lembrou que o orçamento da saúde aprovado pela Aleam para o exercício de 2017 é de R$ 2,2 bilhões, dos quais R$ 1,8 bilhão de orçamento inicial e R$ 400 milhões de suplementação.
 
Desse valor, segundo ele, foram executados até o final de agosto R$ 1,7 bilhão, restando um saldo orçamentário de R$ 494,2 milhões. Entretanto, a necessidade da saúde é de R$ 888 milhões.
 
“Teremos, portanto, um déficit orçamentário de R$ 393,8 milhões, relacionados às obrigações vigentes. Com serviços em execução sem contratos teremos mais R$ 178,3 milhões. Somando-se esses dois itens chegaremos a um déficit de R$ 572,1 milhões”, explicou.
 
De acordo com Deodato, além disso há, ainda, R$ 575 milhões das despesas de exercícios anteriores – compromissos assumidos – sendo R$ 195,6 milhões já empenhados e R$ 379,4 a empenhar. “De restos a pagar são R$ 87 milhões”, observou. 
 
O “rombo”
 
A história do suposto rombo começou com uma notinha em uma coluna de um grande jornal de Manaus, logo após a posse do governador tampão do Amazonas, Amazonino Mendes (PDT/AM), destacando que o novo secretário de saúde, Francisco Deodato, teria informações “fulminantes” sobre os números – contratos e despesas – da pasta sob o seu comando.
 
A ideia de que alguma coisa muito grave e séria havia sido descoberta na área da saúde, na gestão do governador interino David Almeida, foi fortalecida pelo próprio governador Amazonino Mendes, em uma declaração gravada em vídeo. 
 
Sem meias palavras o “Negão” afirmou que a coisa estava mais preta do que se imaginava nas finanças do estado e para justificar o seu argumento apontou a existência de um rombo – que depois passou a ser classificado de déficit -, em torno de R$ 1,2 bilhão.
 
Entre tapas e beijos 
 
A mudança do discurso de Deodato deixou claro que agora o amor está no ar e a acusação do rombo na saúde, considerada pelo presidente da Aleam, David Almeida, como uma “pirotecnia midiática”, não passou de um mal-entendido, apesar de alguns parlamentares acreditarem que a relação entre 
Amazonino e a Assembleia vai ser difícil e que muitos “independentes” vão, sempre, posicionar-se em defesa dos interesses da população.
Questionado sobre a possibilidade de Amazonino construir uma base de sustentação robusta na Assembleia, para fazer prevalecer os seus projetos, com base no “clima de amor” reinante, agora, naquela casa, bem-humorado, o deputado Sabá Reis, do PR, disse que só se o chefe do Executivo levar a dupla Zezé de Camargo e Luciano para cantar no plenário os seus principais sucessos particularmente “É o amor”.
 
“Apesar desse astral de aparente harmonia acredito que a relação vai ser igual aquela música, entre tapas e beijos”, afirmou, entre sorrisos, fazendo referência à conhecida música da dupla sertaneja  Leandro e Leonardo. “Ainda é muito cedo para criticar e cobrar posições da nova administração”, completou.
 
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