Mayara quer mais medicamentos e insumos b?sicos para hospitais do interior, mais leitos e m?dicos especialistas para reduzir tempo de espera por consulta que hoje demora at? oito meses
Mayara quer mais medicamentos e insumos básicos para hospitais do interior, mais leitos e médicos especialistas para reduzir tempo de espera por consulta que hoje demora até oito meses
Por Warnoldo Maia de Freitas
A deputada estadual Dra. Mayara Pinheiro (PP), presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado, reconhece a gravidade da crise registada na área da saúde, mas garante que está pronta para enfrentar o desafio de buscar com seus pares as melhores soluções para os problemas, tanto na capital quanto no interior.
Primeira colocada na eleição de 2018 com 50.819 votos, Mayara, que é de Coari, onde foi vice-prefeita, conhece como poucos as dificuldades enfrentadas pelo homem do interior e promete não medir esforços para viabilizar a implantação de medidas destinadas a assegurar o melhor abastececimento das unidades hospitalares com medicamentos e insumos básicos, instalar mais leitos e reduzir o tempo de espera por uma consulta com um especialista, que hoje varia de seis a oito meses.
Mayara também defende políticas públicas destinadas a fortalecer a atenção básica de saúde, descentralização da Central de Medicamentos, a criação de polos de atendimento no interior, desenvolvimento de um projeto para a carreira médica e o combate à corrupção.
CONFIRA A ENTREVISTA
1 - Como a senhora avalia o desafio de presidir a Comissão de Saúde da Aleam, justamente no momento em que a saúde pública no Amazonas passa por uma das piores crises da sua história?
R - Quando cheguei ao parlamento, não esperava encontrar a saúde nessa situação. Um abandono na capital, agora você imagina no interior que sofre com a falta de infraestrutura. Mas, em dois meses de mandato e à frente da Comissão de Saúde e Previdência, visitei os principais hospitais da capital, a Central de Medicamentos para conhecer de perto a realidade. Também tivemos conquistas como o remanejamento de 40 % do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI), R$ 350 milhões para a capital e R$ 70 milhões aos 61 municípios do interior. Aceitei o desafio e nossa luta para melhorar a saúde está apenas no início.
2 – O que a Comissão de Saúde pode fazer ou está fazendo para resolver os problemas registrados? Quais as prioridades?
R- Primeiro passo foi conhecer todas as demandas da saúde aqui no Estado, entender de perto o problema e ouvir ideias dos gestores da área. Os problemas são muitos, mas destaco a falta de medicamentos e insumos básicos nas unidades hospitalares, a falta de leitos e a demora na marcação de consultas. No interior, por exemplo, dependendo da especialidade, o tempo de espera varia entre seis e oito meses. Esses três pontos são prioridades na nossa saúde.
3 – Na condição de médica, o que a senhora acha, tem a convicção, que o governo precisa fazer para resolver o caos da saúde, que enfrenta a falta grave de medicamentos vitais e essenciais?
R- Precisa de políticas públicas direcionadas à saúde como, por exemplo, o fortalecimento da atenção básica de saúde, descentralização da Central de Medicamentos e a criação de polos de atendimento no interior para desafogar a demanda da capital. Sobre a falta de remédios, os contratos precisam ser revistos e não podemos deixar faltar medicamentos básicos como analgésicos e antibióticos. O estoque precisa de um planejamento diário.
4 – Como avalia a questão da terceirização na área médica? Ela é positiva ou nociva à população? Por quê?
R- Eu avalio que esta situação precisa ser revista. Minha proposta é de que o Estado desenvolva um projeto para a carreira de médico, pra formar profissionais com excelência. Outra saída para qualificar o atendimento é o processo seletivo dos trabalhadores da área, assim você consegue escolher pessoas capacitadas e adequadas àquela função.
5 – Como encara a responsabilidade de ter sido a deputada mais bem votada no Amazonas? Quais suas metas e prioridades?
R- A responsabilidade é muito grande para com o povo amazonense, por isso vou responder com projetos de ações concretas. Outra prioridade minha é a saúde, vou fiscalizar de perto a revisão dos altos contratos, o estoque de medicamentos, entre outras ações para que a saúde seja digna na capital e no interior. Apresentei também um anteprojeto para combater a corrupção. Entre as medidas, vamos definir um procedimento administrativo para facilitar o poder de investigação dos órgãos de controle do Estado. O texto ainda trata do acordo de leniência, no âmbito do poder executivo, no qual a Controladoria e a Procuradoria Geral do Estado poderão celebrar o acordo com as pessoas jurídicas responsáveis pela prática de atos ilícitos contra a administração pública. O Amazonas precisa ter uma política específica para acabar com a corrupção.

6 – Na condição de mulher e representante do interior, o que a senhora pretende ou acha possível fazer para facilitar o acesso das mulheres que moram nos pontos mais distantes da capital à qualificação e capacitação profissional?
R - O caminho é buscar parcerias com empresas, instituições, ONGs, Sesi, Senac, Sebrae, para levar cursos profissionalizantes para as mulheres do interior. Nós precisamos gerar oportunidades de emprego e renda, para que elas possam desenvolver uma atividade e ajudar no sustento da família. O segundo passo é defender junto ao Governo do Estado, a criação de um projeto de cursos de capacitação e qualificação para as mulheres. O interior não pode ficar desassistido.
7 – Qual o conselho, a recomendação que a senhora daria às jovens mulheres, tanto da capital quanto do interior?
R- Que busquem seus direitos e a sua liberdade na sociedade, bem como que procurem estudar e se qualificar cada vez mais. Vou sempre lutar para que as mulheres tenham melhores oportunidades e pela igualdade.
8 - E para combater a violência contra à mulher?
R- Nesses dois meses de trabalho, desenvolvi ideias para atingir diversos segmentos. Uma das minhas prioridades é a mulher e foi pensando nisso que criei duas proposituras. A primeira foi o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, com objetivo de conscientizar a população sobre a importância de diminuir este tipo de violência. Na segunda, destinei 3% das vagas de emprego nas empresas prestadoras de serviço do Amazonas, para as mulheres vítimas da violência doméstica, que aumentou nesse mês de janeiro 73% em relação ao mesmo mês do ano passado. Essas vagas serão preenchidas por mulheres que estão sob medidas protetivas. Mas caso não haja o preenchimento da cota, as vagas vão ser direcionadas para vítimas em processos judiciais depois de denúncia formal de violência doméstica e familiar. As empresas interessadas vão precisar apresentar uma carta de compromisso durante a fase de habilitação. Acredito que assim vamos resgatar a autoestima delas e dar mais independência.
9 – Um projeto de sua autoria, apresentado recentemente na Aleam, defende a transparência nos processos licitatórios no Amazonas. A senhora poderia detalhar de forma resumida os objetivos desta proposta?
R- O Projeto dispõe sobre a gravação em áudio e vídeo do processo licitatório e da transmissão ao vivo, por meio da internet, no portal da transparência do Governo do Estado. Essa propositura visa o respeito aos princípios da publicidade e da administração pública que estão no artigo 37 da Constituição Federal. Com isso, a sociedade poderá acompanhar a tramitação dos processos e verificar em tempo real se os preceitos estabelecidos na Lei das Licitações n. 8.666/93, são transparentes. Por outro lado, a administração pública vai ter a oportunidade de garantir moralidade à gestão dos recursos públicos. É importante lembrar que a gravação vai ficar arquivada por 5 anos e abrangerá a abertura dos envelopes com a documentação relativa a habilitação dos concorrentes, a verificação das propostas conforme o edital , e o julgamento delas.Eu prezo pela transparência e é preciso respeitar os princípios da informação e da publicidade. Regulamentar esses princípios é um dos papeis da Assembleia e eu assumi esse compromisso.
10 – Na sua avaliação, o que provoca mais mortes nos hospitais, a falta de medicamentos, a falta de compromisso de alguns médicos e gestores ou a corrupção?
R- Na verdade, é um conjunto. Nossa saúde estava em um estado caótico, muitos problemas na capital e no interior. Com a comissão, estamos planejando as ações para mudar esse cenário de abandono, principalmente no interior do Estado. Precisamos de mais médicos e mais estrutura, só assim vamos tirar a saúde da UTI.
Perfil:
Monique Figueiredo Pinheiro Reis, a Dra. Mayara, é mãe, casada, amazonense e médica com especialização em dermatologia pela Fundação Alfredo da Matta (FUAM). Entrou para a história como a deputada estadual mulher mais votada na história do Amazonas.
Em 2016, foi eleita vice-prefeita do município de Coari (AM) com a maior votação da história (21.360 votos). O município estava endividado, com salários atrasados, com índices alarmantes de violência, desemprego, saúde precária e infraestrutura destruída.
Já no primeiro ano obras foram retomadas gerando novos postos de emprego, os alunos voltaram a receber fardamento e kits escolares, as escolas e salas de aula foram totalmente reformadas e equipadas. Nesse mesmo ano os professores coarienses foram os únicos do Brasil a receber - além do abono - o 13º, 14º, 15º e 16º salários.
O funcionalismo e fornecedores da prefeitura voltaram a receber seus pagamentos em dia, o hospital foi totalmente reformado e equipado passando a contar com mais de 40 médicos, incluindo especialistas das mais diversas áreas, todas as UBS foram reativadas e equipadas, além de concluir e entregar para a população a UBS Fluvial que, de forma pioneira, leva saúde e cidadania para os coarienses de todas as calhas.
Em apenas seis meses, a UBS Fluvial chegou a atender mais de 13 mil pessoas. Coari também se tornou no primeiro ano de mandato o 3º município que mais investiu em saúde do Amazonas.
Esta atuação de destaque fez com que o Partido Progressista (PP) desafiasse a médica a concorrer por uma vaga como deputada estadual e defendesse na Assembleia as demandas dos municípios do interior das áreas mais carentes de Manaus, focando na saúde e gestão.
Mayara foi eleita com 50.819 votos (a mais votada do pleito) e se tornou a mulher candidata a deputada estadual mais votada na história do Amazonas.
Foi eleita a presidente da Comissão de Saúde e Previdência da Aleam. Em dois meses de mandato, já são 12 Projetos de Lei apresentados, bem como três indicativos ao Governo e 38 requerimentos.