Afinal, algumas fus?es est?o em andamento e resta saber quem estar? junto em 2020 e 2022
Algumas fusões estão em andamento e ainda não é possível dizer quem estará junto em 2020 e 2022
Por Warnoldo Maia de Freitas
Oficialmente a palavra de ordem é a de que não há nada de concreto sobre a anunciada fusão do PSD, de Gilberto Kassab, e do Democratas, de Antônio Carlos Magalhães Neto, e de Omar Aziz e Pauderney Avelino, no Amazonas, porque o entendimento geral é o de que há muitos interesses conflitantes.
Alcançado pelo Whats App para emitir sua opinião sobre o assunto, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), Josué Neto (PSD), não mediu suas palavras e deixou claro que, de fato, está mesmo de corpo e alma fora daquela agremiação política.
"Não tenho informação sobre isso e nem interesse em saber", disparou, confirmando sua insatisfação com o cacique maior do partido, o senador Omar Aziz, que já descartou qualquer possibilidade de apoiar a candidatura de Josué Neto à Prefeitura de Manaus nas eleições do próximo ano.
Paquerado com intensidade e paixão pelo "Aliança Pelo Brasil", partido que está sendo criado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, para abrigar os descontentes com as suas atuais agremiações políticas, Josué se distancia cada vez mais da cúpula do PSD amazonense e dá sinais claros de que o "racha" com o partido comando por Omar é irreversível.
Rotta sai ganhando
Há quem diga que quem vai sair ganhando com essa provável fusão do PSD com o DEM é o vice-prefeito Marcos Rotta (foto acima), porque "após ser desconsiderado publicamente" pelo prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), "mudou de mala e cuia" para o DEM, depois de Pauderney ter assumido o compromisso de lançá-lo candidato nas eleições do próximo ano.
"O Rotta, como dizem, está bem na foto, porque é amigo pessoal de Omar Aziz, o seu padrinho político, e também tem ótimas relações com o Pauderney, que já assumiu publicamente que ele, Rotta, vai ser o candidato do Democratas em Manaus", observam, considerando pouco provável a mudança de posição de Pauderney.
Nem tanto nem tão pouco
Algumas pessoas ouvidas apontaram a necessidade de se observar o conselho do "nem tanto, nem tão pouco", ou seja, os ensinamentos de Dédalo a Ícaro, de "não voar muito alto, nem baixo demais", para não ver suas asas feitas de cera encharcadas pela água do mar ou derretidas pelo calor do sol.
"Ainda não dá para dizer que se a fusão vai ser ótima ou muito ruim. Vamos aguardar, lembrando daquela máxima do nem tanto nem tão pouco", disse um político "calejado" pela experiência.
Nos bastidores as respostas não são assim tão contundentes e em "off" muita gente acredita na real possibilidade da "superação" de possíveis divergências no âmbito nacional e efetiva conciliação de interesses entre os dois partidos, porque as duas agremiações "buscam e já têm espaço dentro do governo".
Alguns prefeitos também acreditam na possibilidade de "união de esforços" e na fusão do PSD com o DEM, apesar dos "inúmeros interesses conflitantes", porque, como fazem questão de destaca, "em política tudo é sempre possível e viável".
"No Amazonas tudo é sempre mais possível. Aqui até boi voa", afirma um prefeito do interior, lembrando que essa possível fusão vem sendo discutida com mais intensidade desde 2018.
A mesma opinião foi manifestada por alguns deputados estaduais, para quem a fusão de partidos é "algo natural", que faz parte das ações dos partidos que procuram se fortalecer sempre mais para poder "melhor defender os interesses dos eleitores".
Outros, mais incisivos, fazem questão de destacar que no Amazonas não haverá nenhum problema "na fusão dos interesses do PSD e do DEM", porque "o senador Omar Aziz controla Pauderney Avelino", ex-deputado federal, presidente da executiva estadual do Democratas e secretário-geral do DEM nacional.
Apesar de não fazerem ideia de como "vai ficar" a fusão do PSD com o DEM, alguns vereadores consultados foram unânimes em dizer que "não vale a pena perder o sono pensando sobre esse assunto, porque no final das contas os caciques sempre se entendem, sempre se resolvem".
Pragmatismo
A prudência sobre o assunto também foi aconselha porque, a exemplo de inicialmente dada como certa, a fusão do PSD, de Gilberto Cassab, com o Partido Humanista da Solidariedade (PHS), que não havia atingido a cláusula de barreira nas eleições de 2018, acabou não se confirmando e o PHS terminou juntando forças com o Partido Trabalhista Nacional (PTN) para a criação do Podemos, seguindo a máxima que diz que "juntos podemos mais".
Apesar da proximidade das próximas eleições, muitos destacam que devido às fusões em discussão ainda não dá para dizer com segurança quem estará junto de quem nas eleições de 2020 e de 2022.
Há quem diga que, na prática, prevalece, sempre, o pragmatísmo político e os partidos sempre procuram respeitar "a si mesmo o suficiente para se afastar de qualquer coisa que não lhes sirvam mais".