Manaus, 28 de Agosto de 2026

Mo??o de Pl?nio Val?rio em solidariedade a Villas B?as recebe apoio de senadores

Os senadores reagiram aos ataques e cobraram de Bolsonaro, que, como capit?o, assuma uma postura firme de comando para colocar fim aos ataques ?s For?as Armadas que est?o paralisando o governo

Política | 07/05/2019 - 19:25
Foto: Reprodu??o

Pl?nio saiu em defesa de Vilas B?as, um grande amaz?nida

 

 

 
 Com protestos de repúdio indignados, senadores da base e da oposição se uniram na tarde desta terça-feira, 07, no plenário da Câmara Alta do Congresso para apoiar uma Moção de Solidariedade ao general Eduardo Villas Bôas, de autoria do senador Plínio Valério (PSDB-AM), em resposta do Senado às agressões consideradas “sórdidas” e “repulsivas” do denominado guru do presidente Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho, desferidas nas redes sociais. 
 
Os senadores reagiram aos ataques e cobraram de Bolsonaro, que, como capitão, assuma uma postura firme de comando para colocar fim aos ataques às Forças Armadas que estão paralisando o governo. Por quase duas horas o plenário do Senado foi dominado por discursos de apoio a moção de solidariedade ao general Villas Bôas. 
 
Ao anunciar seu requerimento, Plínio disse que estava simplesmente transmitindo o sentimento de repulsa e de indignação de todos. 
“Se vivêssemos em uma sociedade que aprendeu a separar o joio do trigo, dando o devido valor ao trigo e jogando o joio no lixo, nós não precisaríamos estar aqui a tratar de assuntos tão baixos, a dar importância a opiniões e declarações de pessoas que em nada somam e em nada colaboram para o progresso, para o crescimento, para alguma coisa boa para a nossa sociedade, para a nossa Nação”, disse Plínio, chamando Olavo de “astrólogo” maluco que não sabe nem interpretar os astros.
 
Solidariedade
 
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (PDEM-AP), ao se associar a moção de Plínio, disse que hoje pela manhã, em nome do Senado, havia ido pessoalmente ao Palácio do Planalto para se solidarizar com Villas Boas e o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
 
“Eu quero cumprimentar Vossa Excelência, senador Plínio. Esse requerimento não é submetido à votação, mas é um requerimento que, naturalmente, expressa a vontade do Senado da República em relação a esse grande homem brasileiro, que é o general Eduardo Villas Bôas. Quero subscrever o requerimento de Vossa Excelência porque acredito que precisamos de pessoas de bem que ajudem o Brasil aqui no Estado nacional, na nossa Federação”, afirmou Alcolumbre. 
 
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que soube do requerimento de Plínio e o subscreveu, juntamente com  o senador Kajuru (PSB-GO), e criticou Bolsonaro pelo fato de, ao invés de ficar ao lado do general, ficou ao lado do agressor Olavo de Carvalho. 
 
“Quero aqui cumprimentar Vossa Excelência porque sua manifestação já passa a ser a manifestação oficial do Senado da República. É necessário e urgente – necessário e urgente! – que esse tipo de agressão não tenha cabimento neste País. Lamentavelmente, a atitude republicana, de estadista, que Vossa Excelência neste momento toma, o senhor presidente da República não tomou. Ele fez o inverso. Se solidariza com o agressor, que, como Vossa Excelência disse, nem em território nacional está. Manda ordens para o núcleo do Governo”, protestou Randolfe. 
 
O repúdio a Olavo de Carvalho e solidariedade ao general e a moção de Plínio, partiu inclusive de membro do PSL, partido de Bolsonaro. O senador Major Olímpio (PSL-SP) destacou o grande brasileiro que é o general Villas Boas, e lembrou que ele foi um dos que garantiram a eleição que deu a vitória a Bolsonaro. 
 
 “Senhor presidente, senador Plínio e todos que são signatários dessa moção de repúdio ataques chulos e rasteiros. Peço a todos que pensem exatamente no presidente Jair Bolsonaro apoiado pelo grande amigo Villas Bôas, e não no presidente Bolsonaro tantas vezes atrapalhado por um amigo que usa da insensatez até no sentido, talvez, de ajudar, mas que causa celeumas dessa ordem que nos impedem até de iniciarmos discussões”, afirmou Major Olímpio.
 
Um dos protestos mais duros foi do senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE), que pediu a Alcolumbre que, em nome do Senado, fizesse um apelo no sentido de que o presidente Jair Bolsonaro colocasse um basta nos ataques de Olavo que tanto tem atrapalhado o governo e o Congresso.
 
“Eu não poderia ficar calado diante da iniciativa, primeiro, do senador Plínio e dos outros senadores e do pronunciamento de Vossa Excelência em relação ao que está acontecendo neste País, principalmente e relação a essa figura que estranhamente, muito estranhamente, tem tido um papel tão relevante na política e na vida nacional. Na verdade, é um cidadão até há pouco tempo desconhecido, que não tem nenhuma importância intelectual em nenhuma academia, em nenhum centro cultural, nunca teve um voto, não tem participação, não decidiu nada, mora há anos fora do País e tem uma estranhíssima relevância neste momento”, destacou Jereissatti.
 
Os petistas Jaques Wagner (BA) e Humberto Costa (PE) igualmente se solidarizaram com a moção de Plínio Valério. Costa culpou Bolsonaro pela falta de pulso para colocar um fim nos ataques as Forças Armadas de dentro de seu governo.
 
“Quero me solidarizar e quero parabenizar o senador Plínio Valério. Eu não poderia deixar de fazê-lo por duas questões, primeiro porque o general Villas Bôas foi exatamente escolhido quando eu era o Ministro da Defesa. Então, posso chamá-lo de meu Comandante do Exército, porque ele foi Comandante quando eu era Ministro da Defesa”, disse o senador Jaques Wagner. 
 
O que mais revoltou os senadores foram declarações de Olavo tripudiando da condição de cadeirante do general Villas Bôas, em função de grave doença degenerativa.
 
“Não é com ofensas, não é com palavras chulas que se pode fazer um debate legítimo dentro do campo da democracia e, principalmente, com palavras dessa ordem ao General Villas Bôas, que, acometido de grave doença que lhe impõe várias sequelas, ainda acorda todos os dias com a disposição de um cadete com 15 anos de idade que ingressou na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, com a mesma vibração, e vai trabalhar pelo povo brasileiro”, afirmou Kajuru. 
 
Outros senadores de vários partidos se associaram a moção de solidariedade de Plínio Valério. O senador Omar Azir (PSD-AM) reclamou que embora os parlamentares queiram ajudar o governo a dar certo, o que se vê é o Governo, entre si, se digladiando. 
 
“Mas agora nós chegamos ao ápice, nós chegamos aonde não deveríamos chegar, porque, a partir do momento em que há uma discussão pequena aqui embaixo, em que se passa a atacar brasileiros que serviram este País por uma vida toda com respeito e dignidade, aí a conversa é mais embaixo três dedos. Ou presidente Bolsonaro toma a decisão de ficar ao lado do conselheiro mor, o senhor Olavo de Carvalho, ou ele toma a decisão de ficar ao lado de brasileiros que lutaram para que o Brasil permanecesse com a sua autonomia e, principalmente, com o respeito que tem hoje”, afirmou Omar, no ultimato a Bolsonaro.
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