Manaus, 25 de Agosto de 2026

O governo perdeu. Mesmo quando ganhou, ele perdeu, afirma David Almeida, sobre vetos de Amazonino

Em franca oposi??o ao governo Amazonino, David Almeida sustenta que o atual momento representa a autonomia e o protagonismo do poder legislativo.

Política | 22/02/2018 - 08:00
Foto: Assessoria de imprensa Aleam

David Almeida

 

Em franca oposição ao governo Amazonino, David Almeida sustenta que o atual momento representa a autonomia e o protagonismo do poder legislativo.
 
Elizabeth Menezes
 
Depois de cinco horas de discussão e votação no plenário da Assembleia Legislativa, na quarta-feira 21, seis dos dez vetos do governador Amazonino Mendes (PDT)  a projetos de deputados foram rejeitados pela maioria e quatro mantidos. Dos 24 parlamentares da Casa, apenas Ricardo Nicolau (PSD) estava ausente e, segundo o presidente David Almeida (PSD), se ele estivesse presente, todos os vetos teriam sido derrubados. 
 
“Se ele estivesse, teríamos derrubado todos os vetos do governo. Ele compõe conosco, é um deputado aliado”, afirmou, em entrevista coletiva, após o encerramento da sessão, quando explicou que Nicolau justificou a falta. Em franca oposição ao governo Amazonino, David Almeida sustenta que o atual momento representa a autonomia e o protagonismo do poder legislativo.
 
“A Assembleia é protagonista nesse processo. Antes, não se via esse tipo de discussão.  A Assembleia vive hoje momentos históricos, sua independência, pela forma como os deputados se posicionam. Os próprios deputados aliados do governo votando contra o governo. Tudo isso fruto de um diálogo, de uma posição séria, correta, não subserviente, mas independente. Isso é bom para a democracia, bom para o parlamento, bom para os deputados. Na sessão de hoje, em todas as votações nós tivemos 12 votos. O governo teve, no máximo, 12 votos”, diz David Almeida, que também critica procuradoria-geral, na questão dos vetos. Para ele, está faltando comunicação na Procuradoria-Geral do Estado.
 
Os vetos são “injustificáveis”, sem fundamentação jurídica e constitucional. Deputados governistas explicam que Amazonino segue a orientação da PGE. Sobre essa questão, David Almeida diz que “o governador foi induzido ao erro”, mas lembra do  “constrangimento” dos colegas governistas, diante dos vetos a seus projetos. Foi o caso do próprio líder do governo, Dermilson Chagas (PEN). Um projeto para instituir política estadual de Agroecologia e de Produção Orgânica, aprovado em 2016, recebeu veto total do governador. No meio de uma discussão, colegas fora da base governista declararam votar contra o veto. Resultado: dos 15 votos contra o veto, um era do próprio Dermilson. Apenas sete votaram com o governo.        
 
“Governo vai perder mais aliados”
 
David Almeida garante não ser contra “pessoas”, apenas diverge no “campo das ideias e das opiniões”, sugerindo não ser “contra” Amazonino, mas acaba revelando um pouco dos bastidores da política neste ano eleitoral. Depois de lembrar que o governo sempre teve maioria na Casa, mas este é um novo momento, ele diz: “Acredito que o governo vai perder ainda mais aliados.  As movimentações se direcionam para isso. Os caciques se movimentam.  O grupo que hoje é um, pode se dividir em dois grupos e pode se dividir ainda mais. Estamos vendo as movimentações. Acredito que, quem ganha com isso, é o poder legislativo”.
 
Indagado se o governador Amazonino Mendes tem maioria na Assembleia Legislativa, ele responde. “Não tem. A casa está totalmente dividida. A Casa, hoje, demonstrou isso. O governo não ganhou uma votação. Quando ele ganhou, perdeu.  Até quando ganho, perdeu”. David Almeida refere-se ao fato de ser obrigatório o voto de 13 dos 24 deputados para derrubar um veto. Com a ausência de Ricardo Nicolau, apenas 23 deputados puderam votar. Assim, o veto a um projeto de Alessandra Campêlo (MDB) foi mantido, por votação ficou em 12 a 11.   
 
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