Os fatos precisam ser esclarecidos. Não vale alegar que tudo faz parte do jogo político.
Por Warnoldo Maia de Freitas
Afinal de contas, o que foi que o deputado federal pelo Amazonas, Amon Mandel (Cidadania), descobriu, realmente, de tão letal que o transformou em vítima de coação e o levou a escolher entre calar ou morrer?
Essa é a pergunta que passou a ser feita por milhares de amazonenses desde a quinta-feira, 04/01/2024, quando, após "um atrito com a PM", provocado por uma lanterna queimada em seu carro - segundo foi noticiado -, Amon foi parar na delegacia policial e depois distribuiu um vídeo nas redes sociais, afirmando ter sido coagido pela Polícia, por ter denunciado o envolvimento da cúpula da Segurança Pública com facções criminosas e o tráfico de drogas.
O parlamentar generalizou ao afirmar "cúpula" e agora tem o dever moral de dizer nomes, identificar os envolvidos nas ações condenadas, para não jogar na mesma vala comum os bons profissionais da segurança pública do Amazonas.
A questão de trânsito é coisa simples e "miúda".
Já as acusações apresenadas pelo parlamentar são sérias e não se pode deixar que sejam "levadas pelo vento", amparadas pela desculpa de que o deputado quer, apenas, ganhar projeção e está aproveitando o momento político para se promover.
Essa estratégia de transformar acusações graves em "meros fatos políticos" é antiga e já foi adotada por muitos outros, que surfaram em diversas ondas. Mas, a população está cansada dessas velhas artimanhas.
Não se pode esquecer que em dezembro passado o Governo do Amazonas foi acusado pela impensa brasileira de ter nomeado o irmão de um traficante internacional para o cargo de gerente de INTELIGÊNCIA na Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas.
Cortina de fumaça
Em coletiva à imprensa, na manhã deste sábado, 06/01, o secretário de Segurança do Amazonas, coronel PM Vinícius Almeida, disse que Amon Mandel "estava intransigente" após a abordagem policial e que o "escândalo" é cortina de fumaça. Ele ressaltou, ainda, de acordo com o noticiário, que o deputado praticou abuso de autoridade e humilhou os policiais.
O "duelo" de versões apresentadas até a manhã deste sábado, 06/01, para justificar condutas registradas durante o episódio, não contribuiu em nada para esclarecer os fatos divulgados e dissipar todas as dúvidas, todas as "nuvens negras" que pairam sobre o episódio, sobre a Segurança Pública.
Diz a máxima positivista que "contra fatos não há argumentos". Portanto, resta apurar as denúncias e comprovar ou não tudo o que foi dito para que as decisões sejam tomadas sem atropelos e com o embasamento necessário.
Só Mi, Mi, Mi pode até ser uma boa estratégia de marketing, na medida em que sensibiliza a parcela da população que apoia uma parte ou outra envolvida na questão. Mas, não resolve nada, principalmente o grave problema da insegurança registrada no Amazonas.
Como diz a letra da música:
"Chega de mentiras", de negar as aparências e disfarçar as evidências.