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01.01.2020 - 00:05  |  Crise na saúde

Onde estavam os políticos quando a verba da saúde seguia para os maus caminhos?

Montagem

 Até que ponto podemos confiar no que está sendo dito? O que é fake news e o que é notícia?


Por Warnoldo Maia de Freitas

O mês de dezembro de 2019 chega ao seu fim marcado por notícias tristes e variadas sobre o caos registrado no sistema estadual de saúde do Amazonas.

De um lado despontam acusações sobre o que alguns classificam de "desgoverno" da gestão Wilson Lima (PSC/AM), porque ele não conseguiu acabar com a anarquia, a bagunça na área da saúde nos seus primeiros 12 meses de gestão.

Do outro aparecem notícias sobre uma compra de manifestantes, por R$ 30,00 mais um lanche, que estaria sendo pratrocinada pelos deputados estaduais Wilker Barreto (Podemos) e Dermilson Chagas (sem partido), para fomentar a confusão.

Apesar de o mês de dezembro ser de festa, de promoção da paz e de espíritos desarmados, os maledicentes de plantão garantem que toda essa confuão faz parte de uma estratégia montada pelos deputados oposicionistas, porque eles estariam "interessados em ganhar visibilidade junto à população e ficar bem com o chefe", que seria o ex-governador Amazonino Mendes, porque "ele trabalha nas sombras com o objetivo de recolocar membros do seu grupo no comando, primeiramente, da Prefeitura de Manaus e depois no Governo do Amazonas".

O empenho demonstrado pelos apoiadores de Wilker e de Dermilson, na divulgação e na defesa das ações desses deputados que atuam na oposição ao governo Wilson Lima (PSC/AM) na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), bem como dos "amigos" do governador, que também não têm medido esforços com o objetivo de desconstruir e de desqualificar as acusações dos adversários, deixam a todos nós, cidadãos comuns, sem saber o que é "fake news" ou notícia.

Sem tomar partido

Sem demonizar a política ou tomar partido na defesa do deputado A, B ou C, ou pelo novo governador, porque os fatos relatados sobre a crise e o estado de caos registrado na área da saúde não são novidade para ninguém e estão aí, maltrando quem mais precisa de assistência médica, é preciso saber até que ponto dá para confiar nos políticos, que, na sua grande maioria, "pagam uma de omisso, fazem cara de paisagem" e só quando lhes interessa resolvem intervir e cobrar providências.

Só para clarear as mentes daqueles que "insistem" em esquecer os fatos recentes ou estão "ofuscados" por interesses inconfessáveis, vale lembrar que no dia 4 de abril de 2014 o vice-governador José Melo (PROS) assumiu o cargo de governador do Amazonas, no lugar de Omar Aziz, que renunciou para disputar uma vaga para o Senado nas eleições daquele ano. Mas, no dia primeiro de setembro, cinco meses após a posse, José Melo reconheceu a incapacidade de gerir o falido e problemático sistema de saúde do estado.
 
Em setembro de 2016, segundo apurou a Policia Federal por meio das investigações realizadas pela operação "Maus Caminhos", não havia dinheiro suficiente para custear as ações na área da saúde, conforme reconheceu José Melo, porque mais de R$ 110 milhões estavam sendo desviados para irrigar as contas bancárias de muita gente "bacana" e importante, enquanto milhares de pessoas necessitadas padeciam e ainda padecem hoje diante da falta de medicamentos e de assistência médica na rede estadual de saúde.

Vale lembrar, ainda, que em março de 2018, em pleno governo Amazonino Mendes, o presidente do Conselho de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam), José Bernardes Sobrinho, dizia para a imprensa, sem meias palavras, que "A saúde do Amazonas tem a pior crise em 30 anos", destacava que desde 2016 "sem realizar transplantes de rim", os pacientes que precisam de hemodiálise seguiam em crescendo e afirmava que o procedimento era feito normalmente em Estados como o Acre e Rondônia, que possuem uma arrecadação menor do que o Amazonas.

Quer dizer, há vários anos todos os nossos políticos sabem, até mesmo os do chamado baixo clero, que uma parte expressiva dos recursos destinados à saúde escorria para maus caminhos, sob o olhar atento de muitos profissionais do voto, que foram eleitos para defender os interesses da população, mas preferiram ignorar sangrias sistemáticas de recursos que comprometeram todo o sistema e implicaram e ainda implicam na morte de muitas pessoas.

A crise registrada no sistema de saúde do Amazonas é um problema sério e complicado, que merece uma reflexão comprometida sobre o assunto, bem como um "mea culpa" de todos os homens públicos, porque esse espetáculo dantesco que está sendo exibido diariamente em Manaus, agravado com a morte de criaças cardiopatas e com ataques seguidos à figura do governador, contou com a participação efetiva de muitos artistas que hoje estão quietos, vendo, como diz a música, a banda passar.
 

coletados pela comissão de transição do atual governo, que haviam 92.257 pessoas a espera de uma consulta médica em diversas especialidades. 

Os números estão na internet para todo mundo conferir, mas alguém está pecando por preferir fazer cara de paisagem ao invés de confrontar as "maledicências" com números e matérias jornalisticas bem elaboradas com médicos especialistas na área do coração para mostrar, por exemplo, que apesar da realidade ser triste, nem toda criança cardiopata obtém êxito nas cirurgias as quais são submetidas.

É preciso acabar com o mi, mi, mi e encarar o assunto com a seriedade que ele merece. 
 
 

 

 

 

 
 
 

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