A base da vida é o respeito, porque só existe amor onde existe respeito
Por Warnoldo Maia de Freitas
Os familiares das vítimas da covid-19, que acabaram sendo sepultadas em valas coletivas entre abril e maio de 2020, no auge da pior crise sanitária registrada em Manaus e no Amazonas, ganharam um presente especial na manhã desta terça-feira, 02/11, o tradicional Dia dos Finados: ficaram sabendo que os seus entes queridos vão ser sepultados em covas individuais.
A medida anunciada na manhã desta terça-feira, 02/10, pelo prefeito David Almeida (Avante), evidencia o respeito da sua gestão para com as pessoas, particularmente às integrantes da parcela mais pobre da sociedade, que, geralmente, não têm a quem recorrer e são obrigadas a aceitar tudo.
A observação é pertinente, porque não se tem notícias sobre o sepultamento em valas coletivas de pessoas integrantes de famílias com bom poder aquisitivo.
É bem verdade que a medida não vai apagar do pensamento de ninguém - isso é, de quem teve a oportunidade de acompanhar e presenciar o enterro, rápido e frio do seu parente -, a imagem do familiar querido sendo sepultado, segundo alguns, "indignamente", em uma "vala comum".
Mas, essa iniciativa serve para mostrar que Manaus está, mesmo, vivendo um novo momento de grandes transformações, marcado pelo respeito ao cidadão e busca de medidas capazes de proporcionar melhores condições de vida a todos.
Muitos fazem questão de afirmar, de forma positiva, que a vida é bela. Mas, poucos têm consciência de que "a base da vida é o respeito, porque só existe amor onde existe respeito". Logo, a falta de respeito evidencia a falta de amor.
Os mortos merecem o nosso total respeito, porque como escreveu Antoine de Saint-Exupéry: "Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós".
Os seus familiares também, principalmente, aqueles que, incapacitados pela falta dos recursos necessários para pagar um funeral aos seus entes queridos, foram obrigados a aceitar o sepultamento em uma vala coletiva.
Vamos em frente. Mas, sem esquecer ou deixar de lado o princípio da Dignidade da Pessoa Humana.
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